terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ozric Tentacles: por detrás da prenda

Quase todas as prendas que recebemos têm por detrás uma história. Pelo menos quero assim acreditar; gostava que todas elas significassem algo, para o presente e para o futuro, ligando indelevelmente quem as dá a quem as recebe. É o caso do disco de que vou falar. Para começar, foi completamente inesperada a sua oferta, o que a torna ainda mais singular e importante. Tudo nasceu de uma troca de tweets com um dos mentores do podcast Proggy Style Radio Show hospedado no site Silhobbit.com, um dos que sigo na área do Rock Progressivo (passe a publicidade, justíssima, deixo aqui a dica de o passarem também a seguir). O mais curioso foi que aqueles tweets começaram com uma conversa sobre futebol, o Benfica e o Manchester United. Palavra puxa palavra (perguntei se o próximo podcast iria mencioná-la) e o Charlie O'Mara disse que "provavelmente" e pediu-me que sugerisse um tema musical para acompanhamento. "Discos pedidos" no Prog são para mim uma novidade mas lá avançei alguns nomes de bandas que gostaria de ouvir no programa e que nele têm sido pouco divulgadas (das clássicas às actuais). Das bandas mais recentes e ainda no activo, os Ozric Tentacles foram a minha escolha imediata. E dispara logo o Charlie "Eu tenho o álbum mais recente deles! Queres?" Atendendo a quão obscura a banda sempre foi (e logo em Portugal...) e como é difícil encontrar nas lojas físicas seja o que fôr das suas edições discográficas (apesar de que com com este já perfazem 14 os CDs que possuo da sua extensa discografia de 28 álbuns) a pergunta caíu como se se perguntasse a um cego se queria ver... E, passados uns dias, aterrou no nosso país a minha edição do 28º álbum dos Ozrics, acrescida de todos aqueles condimentos que a tornam ainda mais deliciosa.

Passando para o trabalho propriamente dito, lançado no passado mês de Outubro, Paper Monkeys não desilude os indefectíveis da banda. Desde 1983 que a sua configuração original passou por várias alterações mas sempre conseguiu manter o estilo que lhe é característico, tanto melodicamente quanto ao nível das influências que por ela passam, no seu psicadelismo mesclado com electrónicas (nuns temas mais evidentes que noutros), a sempiterna batida Reggae de que nunca se descolaram completamente, bem como da sua reinterpretação daquilo que se conheceu como Space Rock nos anos de 1970s numa fusão que posso apelidar de original (recordo que começaram desta forma já nos idos de 1983), de que saliento a acidez da guitarra do mentor Ed Wynne. Está tudo (ainda) neste trabalho de nove temas e 61 minutos de duração naquilo . Em sentido estrito e absoluto não se ouve inovação por aqui, "apenas" o continuar de algo que o quarteto domina e entrega com honestidade e virtuosismo. Para mim, nada mais se pode pedir de uma das bandas da área do Prog que mais agitaram a minha experiência musical na área desde os clássicos dos anos 70 do século XX. Para uns a justificar uma fidelidade sem remissão e, talvez para a maioria dos portugueses, uma surpresa a descobrir numa viagem de múltiplos e psicadélicos sabores. E venha de lá o próximo!

Em jeito de exemplo e para aguçar um pouco o (vosso) apetite, a faixa nº 4, "Knurl"...





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