Depois de tanto aqui falar nele (nunca o suficiente), imperdoável seria eu não assinalar a efeméride #2 do dia de hoje: o nascimento de Agostinho da Silva (13 Fevereiro 1906, 3 Abril 1994). Aqui fica a sugestão de leitura (repito: tanta vez citada), o que nos resta da pessoa e do seu pensamento, além da colecção de 5 DVD editados pelo jornal Público em Fevereiro de 2006:
Viajo muito e ininterruptamente. Dentro de mim, principalmente (para mal dos meus pecados).
Aviso à navegação: é de esperar muita turbulência. Apertem os cintos.
IMPORTANTE: Não se devolvem bilhetes.
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Teaser Tuesday #3
Uma Teaser Tuesday de teor pertinente, que mais parece ter sido escrita nalguma crónica do dia. Curioso é que estou, mesmo, a ler o livro nesta posição. Caramba, mais parece um oráculo (das nossas desgraças)!
Págª 134, Do Progresso ("O Progresso técnico superou o progressso moral"), "A Comédia Latina" in Citações e Pensamentos de Agostinho da Silva, Casa das Letras, Março 2010, organização de Paulo Neves da Silva.
"(...) Costuma dizer-se que o progresso técnico superou o progresso moral; mas o que há na realidade é que o progressso técnico se fez à custa do fundo moral da Humanidade, do seu fundo divino; e as grandes épocas de crise são exactamente aquelas em que o progresso técnico é o mais elevado possível e a consciência moral uma luz mínima que parece a cada momento ir apagar-se de todo no fragor das tempestades económicas e políticas."
Págª 134, Do Progresso ("O Progresso técnico superou o progressso moral"), "A Comédia Latina" in Citações e Pensamentos de Agostinho da Silva, Casa das Letras, Março 2010, organização de Paulo Neves da Silva.
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| Ed. Casa das Letras |
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
À procura de vida extraterrestre (em Marte)
Confesso a minha fandom por infografias. Especialmente por congregarem aquele ditado da sabedoria dita popular que reza que "Uma imagem vale mais que mil palavras", juntamente com um texto condensado, preciso e directo ao(s) assunto(s). Uma complementaridade que me agrada, deveras (repito). O destaque de hoje vale adicionalmente por abordar alguns dos temas mais queridos à Ciência e à Ficção Científica e também à sabedoria popular, que perpetuou a fama do tema com o seu interesse. Marte e extraterrestres são (mas reconheço que já o foram mais) assuntos que despertam inmediata reacção de que as ouça ou leia. Esta que agora vos trago foi inicialmente publicada no Scienceline.org, citado pelo Geeks are Sexy, e intitula-se A Busca pela Vida em Marte – uma história de expoloração, especulação e ideias estranhas. Pessoalmente acredito que os Homenzinhos Verdes na realidade são amarelos-pálido...
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Um guia para ler FC e F
Uma curiosa forma de ajudar leitores de Ficção Científica e/ou Fantasia desnorteados, é o que se oferece no seguinte diagrama de fluxo, compilado pelo SF Signal. Baseada num inquérito efectuado entre cerca de 60.000 dos ouvintes da rede norte-americana de rádios públicas NPR, aqui se reúnem as 100 melhores (sempre inponderável tudo o que seja "melhor", na minha opinião) obras literárias daqueles dois géneros. Mesmo para leitores veteranos, esta é uma forma curiosa (quase um jogo) de se visitarem alguns dos mais importantes representantes destes cada vez mais populares estilos da escrita.
Nesta ligação está a forma interactiva de usar este fluxo, com meros toques do rato (não tão divertida quanto a imagem, mas mais nouveau riche).
Nesta ligação está a forma interactiva de usar este fluxo, com meros toques do rato (não tão divertida quanto a imagem, mas mais nouveau riche).
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Teaser Tuesday #1
A ideia das Teaser Tuesdays, excelente, aliás, li-a no blog da Telma. Lá poderão inteirar-se do que é e como participar. Aqui, o meu contributo:
Pág. 179, "As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro Um, A Guerra dos Tronos" de George R. R. Martin.
"Sor Allister não tirou os olhos de Jon. Enquanto as gargalhadas rolavam à sua volta, o seu rosto escureceu e a mão da espada fechou-se num punho.
— Isso foi um enorme erro, Lorde Snow — disse, por fim, no tom ácido de um inimigo."
Pág. 179, "As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro Um, A Guerra dos Tronos" de George R. R. Martin.
domingo, 14 de agosto de 2011
Destino(s) sugerido(s): Webomator // Ler e reflectir
Tomei conhecimento do Webomator, o blog do artista Bradley W. Schenck, por via de outro blog, o da Tchetcha, Ler e reflectir. Estas coisas funcionam assim — um tweet leva a um site, este leva a um blog, por sua vez este devolve-nos à origem de tudo (e recomeça-se). [chama-se interweb, estúpido]
E assim cheguei à arte ao estilo Steampunk. Fabulosa, quase fotográfica, e imaginativa. Se vivesse naquela época (ponhamos a questão desta forma) eu diria tratarem-se de fotografia, em algumas das gravuras e ilustrações. A ter em atenção no blog de BWS as histórias por si criadas.
Do Ler e reflectir só posso dizer que se trata de um local onde uma pessoa entendida e de escrita articulada regista e partilha as experiências que teve com os livros que leu. Numa altura em que estes objectos estão cada vez mais difíceis de alcançar, financeiramente falando, nada como ler a opinião de quem já leu. Para os indecisos, um bom começo, visitar este espaço da Tchetcha.
Quem me dera ter um blog tão homogéneo e arrumado como o dela. Mas eu sou homem, por isso... ;) [chaos rules]
E assim cheguei à arte ao estilo Steampunk. Fabulosa, quase fotográfica, e imaginativa. Se vivesse naquela época (ponhamos a questão desta forma) eu diria tratarem-se de fotografia, em algumas das gravuras e ilustrações. A ter em atenção no blog de BWS as histórias por si criadas.
Do Ler e reflectir só posso dizer que se trata de um local onde uma pessoa entendida e de escrita articulada regista e partilha as experiências que teve com os livros que leu. Numa altura em que estes objectos estão cada vez mais difíceis de alcançar, financeiramente falando, nada como ler a opinião de quem já leu. Para os indecisos, um bom começo, visitar este espaço da Tchetcha.
Quem me dera ter um blog tão homogéneo e arrumado como o dela. Mas eu sou homem, por isso... ;) [chaos rules]
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Frases
"I love to talk about nothing. It's the only thing I know anything about."— Oscar Wilde (cit. por um pardal no filme Breakfast on Pluto, Neil Jordan, 2005)
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Game of Thrones Portugal: As Crónicas de Gelo e Fogo
Mais informação sobre as edições originais e respectivas versões portuguesas dos livros de que aqui enho vindo a falar:
Game of Thrones Portugal: As Crónicas de Gelo e Fogo: "Game of Thrones é a adaptação televisiva da saga A Song of Ice and Fire ( Crónicas de Gelo e Fogo , em português), de George R.R. Martin. ..."
Game of Thrones Portugal: As Crónicas de Gelo e Fogo: "Game of Thrones é a adaptação televisiva da saga A Song of Ice and Fire ( Crónicas de Gelo e Fogo , em português), de George R.R. Martin. ..."
quarta-feira, 13 de julho de 2011
E por falar em Westeros...
Falei ontem em Westeros. Aqui vai um excelente mapa deste continente (um dos três existentes, de par com Essos e Sothoryos) imaginado por George R. R. (Raymond Richard) Martin, em grafismos publicados num dos maiores sítios de fãs da saga, apropriadamente chamado de Westeros.org, onde se incluem os Sete Reinos que em parte povoam o dito continente — originalmente designados por The North, The Vale, The Stormlands, The Reach, The Westerlands, The Iron Islands e finalmente Dorne. Curiosamente inclui tais detalhes como figuras que abrangem os brazões, as lendas, a história e o presente destes reinos, numa espécie de Onde Está o Wally? da obra A Song of Ice and Fire.
O autor dos desenhos é membro do fórum daquele sítio e chama-se Other-in-Law. Diz ele que fez todo o mapa recorrendo apenas ao MS Paint (o que, já de si, é obra digna de registo especial)...
Neste caminho (ou clicando na imagem acima) poderá ser apreciado este mesmo mapa mas subdividido por zonas. ATENÇÃO, que contém spoilers e Easter Eggs suficientes para estragar eventuais surpresas.
O autor dos desenhos é membro do fórum daquele sítio e chama-se Other-in-Law. Diz ele que fez todo o mapa recorrendo apenas ao MS Paint (o que, já de si, é obra digna de registo especial)...
Neste caminho (ou clicando na imagem acima) poderá ser apreciado este mesmo mapa mas subdividido por zonas. ATENÇÃO, que contém spoilers e Easter Eggs suficientes para estragar eventuais surpresas.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Feira do Livro de Lisboa: a 81ª
Abre hoje, às 17h a 81ª edição da Feira do Livro de Lisboa. Ainda e sempre no espaço do Parque Eduardo VII, a feira terminará em 15 de Maio. Toda a informação, a ler na página oficial (clicando na imagem).
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Dia Mundial do Livro: LER nos jardins de Lisboa e Porto
O Dia Mundial do Livro festeja-se no próximo dia 23 deste mês. E que tal entrar condignamente no espírito deste dia se não celebrando-o com a ajuda da campanha que a revista LER vai lançar nesse dia, nas cidades de Lisboa e Porto. Espalhados em alguns parques e jardins, indiscriminadamente, irão estar alguns exemplares da sua revista bem como de alguns livros. Os primeiros a chegar (e a descobri-los...) servem-se. Basicamenmte será assim (cito a página da revista):
Para assinalar o Dia Mundial do Livro (23 de Abril), várias edições da LER (e um ou outro livro) serão espalhados pelos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, da Estrela e de São Pedro de Alcântara (Lisboa); e também em Serralves, no Palácio de Cristal e no Jardim do Passeio Alegre (Porto). Nós deixamos as revistas (e um ou outro livro). Em troca, só pedimos que os leitores nos enviem um e-mail (ler@circuloleitores.pt) a contar a descoberta.
Em dia no qual grande parte dos nossos conterrâneos irá ter tolerância de ponto devido ao período de celebração pascal, ficando com a tarde desta quinta feira livre, nada melhor para começar um mini-período de férias que rumar a um destes belos espaços verdes em ambas as cidades e "caçar" literatura para os dias de ócio que se seguirão. Esperemos apenas que não chova. Muito...
segunda-feira, 4 de abril de 2011
"The Quantum Thief", Hannu Rajaniemi (2010)
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| Capa da edição norte-americana (2011) |
Apenas li aqui uma breve resenha da obra, recentemente editada nos Estados Unidos (edição original no Reino Unido em finais de 2010). Para mim, que sou fã de FiCi (Ficção Científica), o mundo criado pelo escritor finlandês Hannu Rajaniemi neste seu primeiro romance do género, no qual retrata uma sociedade dispersa pelo sistema solar e onde a população se agrupa em enclaves. Especialmente considerando que também aqui (a exemplo do que eu já tinha escrito) num destes enclaves o autor imagina os humanos, todos membros de uma antiga "guilda" antigamente dedicada aos videojogos do tipo MMO, a viverem agora deliberadamente num mundo em parte real e em parte virtual e completamente programado em ambos os casos. Se a isto adicionarmos que, nestes mundos por si imaginados, a privacidade é um valor tão importante a ponto de serem usados nos "nossos" cérebros chips que permitem escolher como lidaremos com a informação trocada nas interacções com outros humanos (fazendo-os esquecer, por exemplo, dados pessoais que não queiramos que retenham), temos então uma obra — que iniciará uma anunciada trilogia literária — que será sem dúvida um clássico da FiCi. Por mim, vou encomendar (e já estou, mesmo sem ainda a ter lido, a imaginar as éne possibilidades e o impacto que uma tal realidade poderá ter na nossa sociedade de hoje, que já se encaminha, em parte, para algo de semelhante (demos-lhe tempo...)
Entretanto, sugiro igualmente a leitura desta análise do livro no Speculative Fiction Junkie.com.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
"O Peso do Vazio"
É-me impossível passar ao lado da escrita de Mia Couto. Tal como fiz na passada semana, volto a destacar mais uma sua crónica publicada originalmente no moçambicano "O País Online". Lá como cá — em toda a parte? — as suas palavras abordam temas pungentes e atingem uma tal lucidez na análise que sinto terem saído da minha própria cabeça (muito menos lúcida que a dele, certamente). Acho que "Irmandade" também qwuer dizer isto. Leia-mo-lo.
As próprias letras das canções e os respectivos vídeo-clipes são um culto da ostentação oca e bacoca. Meninos de fatos italianos, cheios de penteados (a mostrar que lhes pesa mais o cabelo que a cabeça) e com dourados a pender dos dedos, dos dedos e do pescoço (a mostrar que precisam apenas de mostrar), meninos que cantam pouco e se repetem até à exaustão, fazem o culto deste vazio triste...
Durante anos, o sistema bancário esteve vendendo vazios. Durante esse tempo a arte esteve no empacotar esse vácuo. Esse cultivo da aparência em substituição da substância invadiu as nossas sociedades, no Norte e no Sul do planeta. Esse fascínio pelo brilho exterior estende-se a todos os domínios. Não interessa tanto quem sejas. Interessa o que vestes e como te vendes. Não interessa o que realmente sabes fazer. Interessa a arte de elaborar CVs, de acumular cursos e de te saberes colocar na montra. Não interessa o que pensas. Interessa como embrulhas o pensamento (ou a sua ausência) num bonito invólucro de palavras. Não interessa, no caso de seres governante, como governas e como produzes riqueza para a sociedade. Interessa a pompa e a circunstância. Em suma, o que pesa é o vazio.
Nas artes, o espectáculo tomou conta dessa generalizada ausência de conteúdo. Pouco importa a voz da cantora. Quem escuta a desafinação se ela rebola os quadris com sedução de gata? Quem disse que uma boa cantora tem que cantar? Numa nação em que pouco dinheiro pode salvar vidas, patrocínios chorudos foram aplicados em programas mediáticos de procura do rosto mais bonito, do corpo mais bonito.
As próprias letras das canções e os respectivos vídeo-clipes são um culto da ostentação oca e bacoca. Meninos de fatos italianos, cheios de penteados (a mostrar que lhes pesa mais o cabelo que a cabeça) e com dourados a pender dos dedos, dos dedos e do pescoço (a mostrar que precisam apenas de mostrar), meninos que cantam pouco e se repetem até à exaustão, fazem o culto deste vazio triste em que o que brilha é falso e o que é verdadeiro é mentira. Que valores se veiculam? O carro de luxo (dado pelo papá), a vida fútil, a riqueza fácil. Ai, pátria amada quanto te amam de verdade? Ai, África odiado quanto desse ódio te foi dedicado pelos próprios africanos? Quanto teremos que dar razão ao grande escritor Chinua Achebe quando disse, na carta que escreveu a Agostinho Neto: “O riso sinistro dos reis idiotas de África que, da varanda dos seus palácios de ouro, contemplam a chacina dos seus próprios povos?”
Essa substituição do conteúdo pobre pela forma e pelo aparato pobre faz parte da nossa cultura de empreendedores instantâneos. Há que criar uma empresa? O melhor é que ela não produza nada. Produzir é uma grande chatice, custa tempo e dá muito trabalho. O que está é o lobby, a compra e venda de influências, é ser empresário de sucesso sobretudo porque esse sucesso vem de ser filho de alguém. Para a empresa ser de “peso” há que se gastar tudo na fachada, no cartão de visita, na sala de recepção.
Toda esta longa introdução vem a propósito de um outro jogo de aparências. O acto de pensar foi dispensado pelo uso mecânico de uma linguagem de moda. Já falei de workshops como um espécie de idioma que preenche e legitima a proliferação de seminários, workshops e conferências que pululam de forma tão improdutiva pelo mundo inteiro. Existem termos de moda como “o desenvolvimento sustentável”. Um desses termos mágicos que dispensa qualquer tipo de raciocínio e que cauciona qualquer juízo moral ou proposta política é a expressão “comunidade local”.
Mas aqui surge uma outra operação: por artes inexplicáveis as chamadas “comunidades locais” são entendidas como agrupamentos puros, inocentes e portadores de valores sagrados. As comunidades rejeitam? Então, nada se faz. As comunidades queixam-se? É preciso compensá-las, de imediato, sem necessidade de produzir prova. As comunidades surgem como entidades fora deste mundo e olhadas como um bálsamo purificador por um certo paternalismo das chamadas potências desenvolvidas.
As comunidades estão acima de qualquer suspeita, são incorruptíveis e têm uma visão infalível sobre os destinos da humanidade. É assim que pensam uns tantos missionários dessa nova religião que se chama “desenvolvimento”. Uma tropa de associações cívicas, organizações não governamentais servem-se desse conceito santificado e santificante. Essa entidade pura não existe. Felizmente. O que há são entidades humanas, com os defeitos e as virtudes de todas as entidades compostas por pessoas reais.
O esforço de idealização promovido quer pelos profetas do desenvolvimento quer pelos defensores dos fracos não confere com a realidade que é mais complexa e mundana. O bom selvagem defendido por Rosseau nunca foi nem “bom”, nem “selvagem”. Foi simplesmente pessoa.
O Mapa-Mundi da Fantasia
E se se juntassem os mundos lidos (e imaginados) no universo criado nas obras, mais ou menos clássicas, da chamada Fantasia? O artista Dan Meth pensou nisso primeiro e criou este The Fantasy World Map.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Pobres dos Nossos Ricos — É universal (e interminável?)
Pobres dos Nossos Ricos
(Mia Couto, escritor moçambicano)
(Mia Couto, escritor moçambicano)
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Verdade(s) de que gosto (I)
"Entre nós não há corpos divinos"
Citando uma das várias mulheres, Margarida de seu nome, com quem o escritor cubano Guillermo Cabrera Infante (1929-2005) partilhou a intimidade e que lhe serviu de mote para a obra que a Quetzal Editores lançou recentemente no mercado português, Corpos Divinos. Cit. que retiro, por sua vez, da crítica apresentada na revista Time Out Lisboa (nº 173, 19 a 25 de Janeiro 2011).
Porquê uma "verdade" e porque gosto tanto dela, que a fiz a primeira de (julgo eu) várias outras que se me ocorrerem, de que me lembre ou que comigo se cruzarem? Uma verdade porque só a vã soberba humana se poderá considerar de pura e imaculada, perfeita mesmo. É preciso contrariar-se o conceito da perfeição física, algo que não existe nem mesmo naqueles e naquelas que se convencionou (sem que alguma vez tenha entendido exactamente porquê) considerar como acima dos restante mortais — o que me faz recordar outra verdade, esta, sim, absoluta e inescapável: Memento Mori. Está assim igualmente explicada a razão pela qual gosto dela: frontal, directa e sucinta.
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| René Magritte, Lola de Valence (1948) |
sábado, 15 de janeiro de 2011
Manga no horizonte
Já ando a ler a primeira. As outras estão na minha lista das "Mais Procuradas":
MPD-Psycho
The Kurosagi Corpse Delivery Service
Gantz
Berserk
Todos os livros em edição Dark Horse Manga.
MPD-Psycho
The Kurosagi Corpse Delivery Service
Gantz
Berserk
Todos os livros em edição Dark Horse Manga.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Leitura? Como?

Vim de uma livraria na capital e regressei desiludido e céptico quanto à eficácia das propaladas "vontades" (políticas, meramente) de incentivar o chamado "gosto-pela-leitura" junto dos meus conterrâneos. Começo por lamentar que eles (os conterrâneos) se preocupam maioritariamente com futebol, comida e/ou com o preço do tabaco. "Ler??", talvez os jornais diários gratuitos. "Pagar para ler??", isso é que nem pensar!
Tenho noção de estar a fazer uma apreciação algo cínica deste fenómeno de massas português, pela negativa, que é o arredamento do consumo "do ler", mas quando também constato que practicamente todas as obras que empunhei naquela livraria tinham um preço nunca inferior aos 20-22 euros, mais convicto fico de não vislumbrar no horizonte do médio-prazo forma de inverter a tendência nacional.
Ler, como? A que preço(s)?? Este tipo de bens de Cultura devia ser taxado de forma a que se tornassem populares. É a única forma que vejo de pôr os Portugueses a ler.
A "obrigá-los" a ler?
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Lá (tempo e local) como cá
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Eye of the Setting Sun por hougaard |
A ler a seguinte citação não me consegui impedir de escrever sobre a inevitável, imediata e automática comparação que estabeleci mentalmente. Pelos vistos, intemporal e extra-geográfica. Mais detalhes após a dita.
Olhem para o Japão [...] Tenta fazer o seu caminho na companhia das potências de classe mundial [...] É como uma rã que tenta ser tão grande como uma vaca. É claro que, não tarda, irá rebentar. A luta afecta-te a ti e a mim e a toda a gente. Devido à pressão da concorrência com o Ocidente, os Japoneses não têm tempo para descontrair [...] Não admira que sejam todos neuróticos [...] Não pensam senão em si mesmos e nas suas necessidades imediatas. Olhem para todo o Japão e não verão um centímetro quadrado onde brilhe a luz de uma esperança. As trevas cobrem-no totalmente.
Agora peço para se fazer um simples exercício, o qual consiste em simplesmente trocar as palavras "Japão" e "Japoneses" por "Portugal" e "Portugueses". Sou só eu que não vê qualquer tipo de diferença ou alteração substancial, face à realidade dos nossos dias, entre duas nações tão distantes, numa parábola escrita [*] há exactamente 101 anos atrás?
Este, o triste espírito em que vivemos, ou em que eu vejo encontrarmo-nos. (corrigam-me se estiver enganado).
[*] Citação da autoria do mais famoso escritor japonês do Período Meiji, Natsume Soseki (1867-1916), na sua obra de 1909 intitulada "Sorekara" ("E Depois", "And Then" em Inglês), retirada, com a devida vénia, do livro que aqui mencionei há dias, Edições 70.
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