
Viajo muito e ininterruptamente. Dentro de mim, principalmente (para mal dos meus pecados).
Aviso à navegação: é de esperar muita turbulência. Apertem os cintos.
IMPORTANTE: Não se devolvem bilhetes.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Facebook ou facebook?
Sou um pouco "miudinho" com este tipo de coisas — preciosismos, dirão alguns, para avacalhar(em) comportamentos do género... Basicamente, é isto: em publicações impressas ou pela net fora, bastantes delas escritas por profissionais do ramo dos Media, vejo quase sempre o nome da mais badalada "rede social" ser referido com éfe maiúsculo, ao invés da forma (friso a palavra forma) correcta e oficial de referir o Face..., perdão, o facebook. É que se até o logótipo da empresa se escreve com éfe minúsculo para quê, então, persistir-se na contradição? Será distração? Laxismo dos copywriters (ou lá como se chamam agora)?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
The King of Limbs Is Dead
Imaginei que seria mais ou menos assim que se apelidaria um ficcional álbum confeccionado pelos Radiohead e os The Decemberists. Explico. Estando há poucos instantes a reouvir este último, registou-se-me na mente a coincidência do recurso à referência do título nobiliárquico em ambos os mais recentes trabalhos musicais de longa duração das bandas lideradas por Thom Yorke e Colin Meloy, respectivamente "The King Of Limbs" e "The King Is Dead". Felizmente e para que não hajam mais confusões ou equiparações, os seus registos são completamente diferentes e, até, opostos. Se os primeiros continuam cada vez mais a recorrer às electrónicas elegantes, embora algo discretas, o segundo renova (recorda?) alguma da boa música de inspiração Country ou Folk norte-americana. Repito o que já tinha comentado algures: este último trabalho do grupo de Colin Melloy evoca(-me) o de um Neil Young do séc. XXI. Não quero, para já, repetir aqui mais vídeos de ambas as bandas, apontando-vos para os dois vídeos que já partilhei. "Lotus Flower" (Radiohead) e "Rise To Me" (The Decemberists).
Trabalhos a não perder neste início de 2011. No meu livrinho, dois que irão marcar a cena musical nos tempos mais próximos.
Trabalhos a não perder neste início de 2011. No meu livrinho, dois que irão marcar a cena musical nos tempos mais próximos.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
The Decemberists, "Rise to Me"
Big mountain, wide river
There's an ancient pull
These tree trunks, these stream beds
Leave our bellies full
They sing out:
I am going to stand my ground
You rise to me and I'll blow you down
I am going to stand my ground
You rise to me and I'll blow you down
Hey Henry can you hear me?
Let me see those eyes
This distance between us
Can seem a mountain size
But boy:
You are going to stand your ground
They rise to you, you blow them down
Let me see you stand your ground
If they rise to you, you blow them down
My darling, my sweetheart
I am in your sway
To cold climes comes springtime
So let me hear you say
My love:
I am going to stand my ground
They rise to me and I'll blow them down
I am going to stand my ground
They rise to me and I'll blow them down
domingo, 20 de fevereiro de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
"O Peso do Vazio"
É-me impossível passar ao lado da escrita de Mia Couto. Tal como fiz na passada semana, volto a destacar mais uma sua crónica publicada originalmente no moçambicano "O País Online". Lá como cá — em toda a parte? — as suas palavras abordam temas pungentes e atingem uma tal lucidez na análise que sinto terem saído da minha própria cabeça (muito menos lúcida que a dele, certamente). Acho que "Irmandade" também qwuer dizer isto. Leia-mo-lo.
As próprias letras das canções e os respectivos vídeo-clipes são um culto da ostentação oca e bacoca. Meninos de fatos italianos, cheios de penteados (a mostrar que lhes pesa mais o cabelo que a cabeça) e com dourados a pender dos dedos, dos dedos e do pescoço (a mostrar que precisam apenas de mostrar), meninos que cantam pouco e se repetem até à exaustão, fazem o culto deste vazio triste...
Durante anos, o sistema bancário esteve vendendo vazios. Durante esse tempo a arte esteve no empacotar esse vácuo. Esse cultivo da aparência em substituição da substância invadiu as nossas sociedades, no Norte e no Sul do planeta. Esse fascínio pelo brilho exterior estende-se a todos os domínios. Não interessa tanto quem sejas. Interessa o que vestes e como te vendes. Não interessa o que realmente sabes fazer. Interessa a arte de elaborar CVs, de acumular cursos e de te saberes colocar na montra. Não interessa o que pensas. Interessa como embrulhas o pensamento (ou a sua ausência) num bonito invólucro de palavras. Não interessa, no caso de seres governante, como governas e como produzes riqueza para a sociedade. Interessa a pompa e a circunstância. Em suma, o que pesa é o vazio.
Nas artes, o espectáculo tomou conta dessa generalizada ausência de conteúdo. Pouco importa a voz da cantora. Quem escuta a desafinação se ela rebola os quadris com sedução de gata? Quem disse que uma boa cantora tem que cantar? Numa nação em que pouco dinheiro pode salvar vidas, patrocínios chorudos foram aplicados em programas mediáticos de procura do rosto mais bonito, do corpo mais bonito.
As próprias letras das canções e os respectivos vídeo-clipes são um culto da ostentação oca e bacoca. Meninos de fatos italianos, cheios de penteados (a mostrar que lhes pesa mais o cabelo que a cabeça) e com dourados a pender dos dedos, dos dedos e do pescoço (a mostrar que precisam apenas de mostrar), meninos que cantam pouco e se repetem até à exaustão, fazem o culto deste vazio triste em que o que brilha é falso e o que é verdadeiro é mentira. Que valores se veiculam? O carro de luxo (dado pelo papá), a vida fútil, a riqueza fácil. Ai, pátria amada quanto te amam de verdade? Ai, África odiado quanto desse ódio te foi dedicado pelos próprios africanos? Quanto teremos que dar razão ao grande escritor Chinua Achebe quando disse, na carta que escreveu a Agostinho Neto: “O riso sinistro dos reis idiotas de África que, da varanda dos seus palácios de ouro, contemplam a chacina dos seus próprios povos?”
Essa substituição do conteúdo pobre pela forma e pelo aparato pobre faz parte da nossa cultura de empreendedores instantâneos. Há que criar uma empresa? O melhor é que ela não produza nada. Produzir é uma grande chatice, custa tempo e dá muito trabalho. O que está é o lobby, a compra e venda de influências, é ser empresário de sucesso sobretudo porque esse sucesso vem de ser filho de alguém. Para a empresa ser de “peso” há que se gastar tudo na fachada, no cartão de visita, na sala de recepção.
Toda esta longa introdução vem a propósito de um outro jogo de aparências. O acto de pensar foi dispensado pelo uso mecânico de uma linguagem de moda. Já falei de workshops como um espécie de idioma que preenche e legitima a proliferação de seminários, workshops e conferências que pululam de forma tão improdutiva pelo mundo inteiro. Existem termos de moda como “o desenvolvimento sustentável”. Um desses termos mágicos que dispensa qualquer tipo de raciocínio e que cauciona qualquer juízo moral ou proposta política é a expressão “comunidade local”.
Mas aqui surge uma outra operação: por artes inexplicáveis as chamadas “comunidades locais” são entendidas como agrupamentos puros, inocentes e portadores de valores sagrados. As comunidades rejeitam? Então, nada se faz. As comunidades queixam-se? É preciso compensá-las, de imediato, sem necessidade de produzir prova. As comunidades surgem como entidades fora deste mundo e olhadas como um bálsamo purificador por um certo paternalismo das chamadas potências desenvolvidas.
As comunidades estão acima de qualquer suspeita, são incorruptíveis e têm uma visão infalível sobre os destinos da humanidade. É assim que pensam uns tantos missionários dessa nova religião que se chama “desenvolvimento”. Uma tropa de associações cívicas, organizações não governamentais servem-se desse conceito santificado e santificante. Essa entidade pura não existe. Felizmente. O que há são entidades humanas, com os defeitos e as virtudes de todas as entidades compostas por pessoas reais.
O esforço de idealização promovido quer pelos profetas do desenvolvimento quer pelos defensores dos fracos não confere com a realidade que é mais complexa e mundana. O bom selvagem defendido por Rosseau nunca foi nem “bom”, nem “selvagem”. Foi simplesmente pessoa.
Thom Yorke & Benny Hill
O que têm o mentor dos Radiohead e o comediante em comum? Isto:
O Thom filmado nalgum intervalo (ou pausa para descompressão?) do vídeo oficial de um dos oito temas do álbum mais recente da sua banda, "The King Of Limbs":
O Thom filmado nalgum intervalo (ou pausa para descompressão?) do vídeo oficial de um dos oito temas do álbum mais recente da sua banda, "The King Of Limbs":
O Mapa-Mundi da Fantasia
E se se juntassem os mundos lidos (e imaginados) no universo criado nas obras, mais ou menos clássicas, da chamada Fantasia? O artista Dan Meth pensou nisso primeiro e criou este The Fantasy World Map.

"Tonight I’m Frakking You"
Esta video-subversão do tema "Tonight I’m Loving You" de Enrique Iglesias, lançada há poucos dias pelo Break.com é uma delícia para entendidos na matéria cinéfila de Ficção Científica (variantes TV e Cinema) e da BD. Aqui há de quase tudo e todo o principal ícone da cultura Sci-Fi aparece para deleite do geek que há em nós. Falo de Star Wars, Super Mario Brothers, Ghostbusters, Battlestar Galactica, Star Trek, alguns Avengers da Marvel e muito mais. E o que eu adoro de Slave Leias... Melhor e mais divertido que o original (que a canção é chatérrima, mesmo nesta versão). Abanai os capacetes e os vossos fatos espaciais, se fazem favor.
Estranho castor...
Strange Beaver é o nome do site que vou apresentar. Por algum do seu conteúdo pode ferir susceptibilidades quer dos vivos, quer dos já finados há (digamos) uns 2 mil e tal anos. O esboço abaixo é um bom exemplo do que falo. Mas nada como ir até ao local e desfrutar a vista por nós próprios. No fundo é um repositório de imagens, distribuídas pelos temas Wallpapers (fundos de ecrã) e Memes, cada qual contendo várias sub-categorias onde se encontram fotos, desenhos e ilustrações, sempre com uma inspiração satírica. Todos já recebemos em e-mails aquelas imagens que nos fazem rir, quer sejam alterações mais ou menos bem feitas em Photoshop ou outras mais realistas mas não menos caricatas. Agora, e sempre que for necessária alguma imagem mais excentríca ou cómica, do-outro-mundo, mesmo, este é um dos locais a visitar de imediato. Depois de uma visita à página, estará pronto para, você também, começar a inundar os amigos ou colegas com os tais e-mails que nos fazem rir à segunda-feira...
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| Da série "Jesus is a Jerk" |
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Dead Island, o trailer do videojogo
"Fenomenal" é o adjectivo mínimo que consigo encontrar para classificar este trailer do futuro videojogo Dead Island. E não o digo simplesmente pela ideia (peregrina? Nem por isso) de ser apresentado na sequência temporal inversa àquela em que foi "tomado". No segundo vídeo poderão assistir ao mesmo trailer mas na ordem cronológica "normal" e depois julguem por vós próprios.
Aviso já que a violência gráfica é... bem, digamos que é violenta...
Mais informação na página facebook oficial.
Aviso já que a violência gráfica é... bem, digamos que é violenta...
Mais informação na página facebook oficial.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
NOVIDADE: Conhece o novo dispositivo portátil de conhecimento
Nos dias de hoje é considerado revolucionário e proporcionador de novas experiências e sensações. Está no mercado mais um dispositivo portátil de leitura, que em nada fica a dever à concorrência e por diversos motivos. Antes de mais, não depende de baterias e, por isso, tem uma autonomia que deixa a milhões de anos-luz (ou Watts, se preferirmos ser mais tecnicistas) qualquer dispositivo da concorrência. Monocromático ou disponível em diversas cores, tamanhos e pesos, proporciona uma experiência envolvente e que pode, inclusive, ser partilhada em directo com o parceiro ou parceira do lado, com todas as vantagens económicas daí advenientes: compra um e poderás partilhá-lo com quem quiseres, numa experiência de interactividade nunca vista. Os conteúdos disponíveis no mercado são praticamente infinitos e diariamente são lançados novos exemplares, de vários temas. Funcionando sem fios ou outros artifícios periféricos, é no entanto garantida uma ligação directa ao cérebro (tenta lá fazer melhor, ó Steve Jobs!)
Corre a comprar um antes que esgotem! Eu já aquiri dois este mês e no próximo vou querer mais, tal é a facilidade em se ficar tecnológico-dependente desta maravilha. A inovação tem o nome de BOOK e pode ser devidamente apreciada com mais detalhes no vídeo promocional, que tenho o prazer de aqui partilhar e onde poderás tomar conhecimento dos vários acessórios criados para o acompanhar.
Corre a comprar um antes que esgotem! Eu já aquiri dois este mês e no próximo vou querer mais, tal é a facilidade em se ficar tecnológico-dependente desta maravilha. A inovação tem o nome de BOOK e pode ser devidamente apreciada com mais detalhes no vídeo promocional, que tenho o prazer de aqui partilhar e onde poderás tomar conhecimento dos vários acessórios criados para o acompanhar.
Pobres dos Nossos Ricos — É universal (e interminável?)
Pobres dos Nossos Ricos
(Mia Couto, escritor moçambicano)
(Mia Couto, escritor moçambicano)
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza.
Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos".
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem.
Sabes que és um #Péreve quando...

...entras numa loja da Apple e te pões a jogar no facebook assim que encontras um pc com acesso à net.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
O meu pequeno-almoço

Dei três "obrigados" + 1 — um por cada coisa que me serviram (café pingado, sumo de laranja natural, bola mista e quando me devolveram o cartão Multibanco) — e pedi a uma funcionária (de cor) "Dê-me uma branquinha, se faz favor" (uma sandes mal cozida, queria dizer).
Acho que o dia me podia ter começado melhor...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A química dos encontros

Não, não vou — recuso-me — a falar do "Dia dos Namorados" que hoje se celebra (?!). Iria começar a arengar prosa eventualmente venenosa e não quero estragar com isso as ilusões de quem me leia e acredite nestas coisas como os infantes acreditam no Pai Natal. Falo, antes, de algo mais genérico e não tão (Grâçe à Dieu!) dependente de uma folha de calendário à qual se chega depois do rasganço inevitável e distraído das folhas anteriores.
Química porquê? Talvez por existir um componente, diria "mágico", na forma como duas pessoas (não necessariamente de sexos diferentes) se encontram algures no decurso das suas vidas. Uma "fórmula"? Não sei. Falo por experiência e esta leva-me a admirar, assim, tanto tempo passado, na forma pela qual nos conhecemos, como nos cruzámos. O não se saber o segredo deste composto e o resultado que daí advém já é, para mim, admiração suficiente para que nela acredite com reverência (perdoe-se-me o pleonasmo).
Olhando para trás no tempo, não consigo vez alguma determinar como foi (apesar de saber a data em que o "foi"), "o" que foi que nos aproximou. Mas aconteceu e não o lamento. Mais que tudo, os encontros importantes são aqueles que acontecem fortuitos, como algo que não planeamos. É algo que mexe connosco, que nos espevita, nos faz abrir os olhos para a realidade (ou para uma realidade outra).
É uma química boa, seja ela qual for. Mexe(-me) cá dentro...
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