sábado, 28 de janeiro de 2012

Os Genesis voltam a Cascais!! (37 anos depois)


Não são exactamente os Genesis de 1975 mas os The Musical Box, o grupo oficial de tributo e homenagem à banda do Rock Progressivo do meu contentamento. Os dois concertos que aqueles deram no Pavilhão do Dramático de Cascais em dias consecutivos, ficaram para a história e eu próprio tenho como uma indelével e inesquecível memória a frustração de não ter podido participar porque... os meus pais não deixaram este puto de 16 anos assistir, nem com a companhia de uma prima, mais velha! Outros tempos, pois claro, ainda por cima com um fresquinho 25 de Abril na memória dos progenitores, alimentando-lhes instintos protectores do seu filhinho contra aqueles malucos, todos uns drogados certamente (diz-se que o cheiro a erva era tanto e tão intenso que bastava respirar naquele pavilhão para se ficar high, mas isso agora não interessa), que iriam estar presentes em tal orgia musical... Consta que em cada uma das duas noites estiveram cerca de 10.000 drog.., perdão, espectadores presentes no concerto! E eu por pouco que não fui um deles...

Enfim, e porque tal como o amar também nunca é tarde para regressar a um passado saudoso (37 anos depois), infelizmente já não com a banda original, lá irei — finalmente! — marcar presença no agora novo Dramático de Cascais para, no mínimo, tentar recuperar parte daquilo que teria sido, por outros motivos, uma memória ainda mais marcante. Para mim, e, certamete, outros como eu, provavelmente os das duas gerações seguintes, serão sempre os tais Genesis que irei/iremos ter à minha frente a tocar os 22 temas do histórico álbum conceptual (o último lançado pela banda em quinteto completo, em 1974), The Lamb Lies Down on Broadway (TLLDoB).


O concerto de 6 e 7 de Março de 1975
Sobre ele, infelizmente mais um dos Genesis clássicos (i.e. composto por Peter Gabriel, Michael Rutherford, Tony Banks, Steve Hackett e Phil Collins) do qual não foi feito qualquer registo visual completo de qualidade, nada melhor do que visitar o blog criado em 2005 por Guilherme Pereira, aquando da passagem dos 30 anos sobre as duas datas históricas. Um bom local para podermos recordar os testemhunhos de alguns presentes e tamém diversos objectos associados ao evento então organizado pela promotora Concerto de Carlos Gomes: o cartaz oficial, a confirmação do contrato com a banda, recortes de imprensa, os bilhetes (a Esc. 80$00?? pois sim...), e fotos daquela época tão longínqua, e simultaneamente próxima. Fui em 2005 um dos que comentou no blog (ia lá agora deixar passar a efeméride em claro); até o Gimba lá comentou! ;)

Uma nota de rodapé para outro objecto comemorativo, a edição do DVD-documentário "Genesis Encore Cascais 75" realizado por João Dias, que a Bazar do Vídeo editou em 2005 juntamente com a revista Cais e de que me posso gabar de ser o detentor de uma das cópias numeradas. Mais sobre ele aquiaqui e aqui.

Apesar da escassez dos testemunhos fílmados que referi, mesmo assim ainda foram feitas algumas captações de imagem (principalmente fixa), que, acompanhadas do som captado no palco permitem ter uma (pálida) ideia do ambiente que se viveu em Cascais, tendo sido incluídas no citado DVD de edição nacional. Alguns exemplos, com os quatro primeiros temas da obra magistral que TLLDoB sempre foi:












Os The Musical Box
Sobre a banda que iremos ver no próximo dia 10 de Março de 2012, de que eu já aqui falara em 2011, ela é composta por seis canadianos francófonos e sobre eles, melhor do que me reperir, será sugerir uma visita à página da Wikipedia que deles fala. Vê-los-ei em Março e aqui deixarei, para memória futura, o testemunho da sua actuação. Que venham daí os Genesis possíveis para a época que vivemos. Por mim, estou ansioso por ver o carneiro adormecer na Broadway.

Porsche: cartazes de 1950s

Porsche, uma das marcas históricas no desporto automóvel, aqui evocada em 14 cartazes dos anos de 1950. A ver na totalidade no artigo do Retronaut.com.






quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

"Só sou exigente com os amigos"

Nunca escondo a minha admiração pelo maior pensador português (ia dizer "de sempre", mas hesito), Agostinho da Silva. O seguinte texto não me consigo impedir de o partilhar. Comprem o livro.

Estou a exigir muito de si? Quem lhe há-de exigir muito senão os seus amigos? Eles receberam o encargo de o não deixar amolecer e, da minha parte, tenha você a certeza de que o hei-de cumprir. Você há-de dar tudo o que puder, e mesmo, e sobretudo, o que não puder; porque só há homem, quando se faz o impossível; o possível todos os bichos fazem. Quando você saltar e saltar bem, eu direi sempre: agora mais alto! Que me importa que você caia. O que é preciso é que você se levante. Os fracos vieram só para cair, mas os fortes vieram para esse tremendo exercício: cair e levantar-se; sorrindo. Já sei que muitas vezes se há-de revoltar contra mim e desejar que eu fosse menos duro e lhe desse uns momentos de repouso; mas do repouso faria você férias e das férias uma vida de gato. Eis o que nunca lhe consentirei. O que é bonito e bom é a vida de cão. O que você vai tirar, se for grande, de roer ossos, e levar pontapés, e beber água das valetas!
Pode ser que, porém, você se revele um cão de luxo; são bichos bastante antipáticos para mim, mas não é por isso que lhes farei mal; pelo contrário. Só maltrato os amigos. Para cãezinhos de pêlo encaracolado e patinhas que mal aguentam o corpo tenho um fornecimento de almofadas, pires de leite, bolacha macia, perfumes, pentes finos e nojo.Um fornecimento inesgotável e que você utilizará quando quiser. Poso juntar-lhe também um pouco de piedade, porque no fundo os cães nem têm mérito nem têm culpa. E ainda uma certa pena por ter dado conselhos de força e de altura a quem era fraco e baixo; mas não me parece ter perdido tempo: se os conselhos não servirem a você, a mim serviram; que bem preciso deles e ninguém mos dá.

Da Exigência, "Sete Cartas a Um Jovem Filósofo" in Citações e Pensamentos de Agostinho da Silva, Casa das Letras, Março 2010, organização de Paulo Neves da Silva.

Fantasmas de Lisboa

Vistas aqui, vindas daqui. E Viva Lisboa! (com mais ou menos fantasmas)

Praça D. Pedro IV (vulgo Rossio)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Bondage Fairies 1-0

Tem alguns ingredientes de que mais gosto: independente(s), Hamburg, electrónicas e Rickenbacker. Chega (para já). Ouça-se.


Fluorescent Black: que grande filme!

Menti. Não se trata (ainda?) de um filme. Mas de Fluorescent Black, uma BD americana escrita por MF Wilson, desenhada por Nathan Fox e colorida por Jeromy Cox, que algum dia, espero que não muito distante, chegará às telas das salas de cinema. Esperei quase um ano pelo livro, depois da encomenda feita na BDMania. Valeu a espera e li-o esta madrugada de uma assentada (há muito tempo que não me dava uma tamanha insónia...).

O trabalho, um tríptico Biopunk (palavras do autor) publicado originalmente na Heavy Metal entre 2008 e 2010, reunido no livro que possuo, editado pela revista em Junho de 2010, fala-nos de uma sociedade a um tempo distópica/utópica (sic; leia-se a introdução do argumentista) em que a genética divide os (muito) ricos dos (muito) pobres na ilha cidade-estado de Singapura de 2085. Aqui, os Superiores, detentores do poder e do dinheiro vivem nos seus corpos e cidade limpos e perfeitos, cada vez mais belos, limpos, ricos, saudáveis, egoístas e inteligentes, separados apenas por duas pontes fortificadas daqueles, os Inferiores, que vivem no ghetto de Johor Bahru, um gigantesco bairro de lata biológico habitado pelos rejeitados e ostracizados da sociedade, violentos, mental e fisicamente doentes, feios, tatuados, dependentes de drogas e transplantes feitos com os restos dos orgãos daqueles que matam para sobreviver mais uns dias. Aqui reina o caos, a miséria, a destruição e a anarquia. Os únicos valores que ainda significam algo são os órgãos e sangue humanos, recolhidos por todos e transaccionados, modificados entre os que deles necessitam para que os seus corpos não colapsem definitivamente. Aqui vivem os enxertados, em mais de um sentido do termo. Pelo meio, um grupo de improváveis "revolucionários" que, sob o lema "Free the gene!", planeiam derrubar a barreira entre si e os poderosos, restabelecendo a democracia genética e social ao dar a todos acesso ao Ultagénio, um produto desenvolvido num dos laboratórios dos Superiores e que permitirá normalizar o genoma dos inferiores, tornando-o igual aos da classe dominante.

Esta é a sinopse que me apeteceu escrever. Clicando na primeira imagem infra aceder-se-á a outra(s).  Não quero entrar em mais detalhes do enredo pois considero que esta obra gráfica merece ser lida e possuída — termo curioso, considerando o tema... Visualmente forte, o desenho acompanha com competência a caótica agressividade (o Biopunk, lá está) espelhada nas palavras do argumentista. Mas no fim.... Não conto!!

Que filme que eu esta madrugada li!




The Twitter Song

Para uns, practicamente a essência do Twitter...


iPhone: honestidade em fundos d'ecrã (?)

Em boa verdade, não se aplicarão tais exemplos de "honestidade" apenas a iPhones mas a toda e qualquer engenhoca que nos afaste da humanidade e proximidade de certo tipo de contactos, mais tradicional. Seja como for, a ideia subjacente foi recebida.

www.makeuseof.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

Acho que prefiro a baleia...


Star Wars Uncut: Director's Cut

Chamar-se de Uncut a este projecto é pouco verdade porque na realidade ele foi feito exactamente na base da congregação de inúmeros "cortes". Explico-me. Trata-se aqui de recriar, num projecto de crowdsourcing, o primeiro dos seis filmes da saga de A Guerra das Estrelas (Star Wars - Episode IV: A New Hope), trazido para as salas de cinema por George Lucas em 25 de Maio de 1977, por meio de segmentos de 15 segundos, empregando todas as técnicas e meios a que os participantes decidissem recorrer.

O mentor da ideia, Casey Pugh, lançou o isco em 2009 e o resultado foi ontem publicado depois de terem sido seleccionados os clips que compõem este filme de 2h03m53s de um pastiche visual acompanhado do som, música e feitos sonoros originais. Convenhamos que algumas das escolhas, exemplos supremos de lo-tech ao serviço do interesse comum, revelam a verdadeira coragem dos seus autores e exigem mesmo um esforço de imaginação por parte dos espectadores mas nem por isso o resultado deixa de ser espantoso. Actores "reais" de todas as idades (vejam, que logo entenderão...), animações em stop-motion, recortes, LEGO, desenhos infantis, bordados animados e sei lá que mais, tudo serviu para celebrar a obra original em que se basearam. Como fã da saga desde que naquele dia de Dezembro de 1977 pela primeira vez vi a famosa cena inicial na sala do Cinema Monumental, não podia deixar passar em claro o esforço desenvolvido por todos. Uma perspectiva diferente de um tão rico objecto da nossa cultural mundial é sempre bem-vinda.

Nova chamada de atenção para a página oficial do projecto Star Wars Uncut onde o filme pode também ser visto e mais detalhes se revelam, nomeadamente as comparações de cada cena face às originais. Vejam-na e digam de vossa justiça.


sábado, 21 de janeiro de 2012

Telemóveis: a evolução

Não sei de quem me leia mas eu não consigo viver sem o meu espertofone, agora um modelo verdadeiramente "esperto" e, porque não dizê-lo?, user-friendly (desculpa Nokia, mas troquei-te por outra, mais sexy, simpática e disponível que tu). Um verdadeiro PC de meter no bolso, que faz tudo o que queremos (e mesmo o que dispensaríamos que fizesse). Aqui vai a sua história, iniciada nos idos de 1973, numa infografia da autoria da Wilson Electronics reproduzida no Mashable.com.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Dalaiama - Best Of

Porque resido no mesmo concelho onde actua (e habita? Cascais), desde há muitos anos que sigo e aprecio a Street Art (vulgo graffiti) do Dalaiama. Não só pela presença nos locais mais inesperados nos espaços públicos das localidades que frequento, mas também pela originalidade do (seu) projecto, a figura daquilo que eu não me posso impedir de comparar como uma espécie de The Residents meets Pac-Man, já mais que justificava uma referência neste espaço em que partilho tudo aquilo que me desperta o interesse e me espicaça a mente. Aqui vai ela, na forma de um dos vários vídeos que o "artista de rua" (soa mal, não soa?) partilha na sua página do YouTube:


"Ser diferente"

Citando o meu querido Agostinho da Silva:

A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.

in 'Diário de Alcestes', via Citador.