domingo, 12 de junho de 2011

24H de Le Mans: os principais acidentes (todos Audi)

Infelizmente as corridas automóveis são sinónimas de perigos vários, practicamente todos ligados a questões de segurança. À hora a que escrevo isto, decoridas que estão 15H desde a partida, esta 79ª edição das 24H já nos deu a ver dois acidentes feios, felizmente sem consequências de maior para pilotos e assistência, em ambos os casos com os Audi R18. O primeiro foi protagonizado por Alan McNish ao volante do carro Nº 3 quando decorria pouco mais de uma hora de corrida e após um ligeiro toque no Ferrari 458 Italia Nº 58 da classe GTE Pro com Anthony Beltoise ao volante. Dois vídeos que mostram bem a violência do embate mas, em simultâneo, o grau de segurança do cockpit que permitiu que o piloto pudesse sair ileso do seu interior:








Ainda mais feio e já pela noite dentro foi o 2º acidente de um carro da Audi, o Nº 1 na altura pilotado pelo alemão Mike Rockenfeller, quando se envolveu também com um Ferrari, o nº 71 da AF Corse. Tinham já decorrido 8h16' de corrida (22H em Portugal). Apesar de o piloto ter alegadamente saído da viatura pelo seu próprio pé, desta feita teve de ser transportado para o hospital do circuito, onde nada de grave (atendendo às circunstâncias) lhe foi diagnosticado:




Outro ângulo do acidente:



Reforço a segurança das viaturas, que, em ambos os casos, permitiu que os respectivos pilotos tivessem sobrevivido. O desporto automóvel pode ser potencialmente perigoso mas felizmente que também é muito mais sobrevivível que nos tempos mais remotos da sua história.

sábado, 11 de junho de 2011

24 Horas de Le Mans 2011: 20 anos depois, o vencedor regressa!

Tem 20 anos a vitória do primeiro (e até agora único) construtor japonês (e também o primeiro modelo de motor rotativo) nas 24 Horas de Le Mans. Foi o Mazda 787B-002 #55, um protótipo do Grupo C (vigente entre 1982 e 1994), pilotado por Johnny Herbert, Volker Weidler, e Bertrand Gachot em 1991.

Para comemorar a efeméride, os japoneses da Mazda decidiram (e bem) retirar o modelo do seu Mazda Museum em Hiroshima e prepará-lo para poder fazer a apresentação comemorativa hoje, na pista de La Sarthe. Para este efeito, Johnny Herbert regressou ao carro (que, disse, já não conduzia desde aquele ano da vitória), juntamente com o actor-piloto Patrick Dempsey (um habituée da marca, já que além de representar também corre nos Estados Unidos no campeonato GRAND-AM com um Mazda RX-8).

Eis um cheirinho do run feito pelo Patrick, que participou pela primeira vez nas próprias 24H de Le Mans em 2009 em Ferrari F430 GT, tendo obtido o 9º lugar dos GT2:


sexta-feira, 10 de junho de 2011

24H de Le Mans com a Level 5 Motorsports

Conforme aqui destaquei mais detalhadamente começa amanhã a 79ª edição da famosa prova de resistência automobilística. Faço esta adição ao assunto para dar uma ideia do que é pilotar-se um protótipo de competição, no caso vertente o Lola B11/83 Coupe-HPD (Honda Performance Development) do team Level 5 Motorsports que compete na classe LMP2 (a 2ª mais importante, digamos). O carro posicionou-se nos treinos finais de ontem à noite na 28ª posição da geral e 11º (último) da sua classse com o tempo de 3:48:863 nas mãos de Christophe Bouchut, que partilhará amanhã o volante com Scott Tucker e o "nosso" campeão João Barbosa.

Apesar de parecer que a velocidade é estonteante (e é, devendo rondar uma média de 300 e alguns mais Kms/h) prestem atenção aos minutos 1:27 e 1:45 do vídeo nos quais o Lola é ultrapassado pelos Peugeot 908 da classe principal, a LMP1. Até parece que se vai a arrastar pela pista (não, não vai). Multiplique-se por 24!

Boa sorte ao João Barbosa e à sua equipa, a primeira vez que corre no circuito de La Sarthe.





A equipa: Scott Tucker, Christophe Bouchut, João Barbosa

O carro: Lola B11/83 Coupe-HPD

The Looney Tunes are back! (em 3D)

"The Looney Tunes are back!"




Quando li isto nem quis acreditar. Para mim das séries animadas mais virulentas (e virais, para a época) de sempre, os Looney Tunes dos estúdios da Warner Brothers (desde 1944) sempre foram os bad boys da animação, batendo aos pontos, para a maioria dos adultos, os lamechosos trabalhos da Disney, sempre a puxar para o dramalhão traumatizante e a sequente lágrima. Todos os seus lendários directores/realizadores — Tex Avery, Bob Clampett, Friz Freleng, Chuck Jones (de quem se comemora em 2012 o centenário do nascimento), Robert (Bob) McKimson ou Frank Tashlin, não esquecendo essa quintessência da voz humana que foi o fantástico Mel Blanc — souberam criar uma imagem de marca baseada numa violência tão absurda, gratuita, esdrúxula e surreal que, exactamente por estes excessos, se tornara um primor do humor. A isto também não foram alheias as contribuições de argumentistas como Warren Foster, Tedd Pierce, Michael (Mike) Maltese e, repetentes, Chuck Jones e Friz Freleng, cujas mentes criadoras (salutarmente conturbadas?) nos deram personagens tais como um Bugs Bunny (Pernalonga, em Portugal), um Daffy Duck, um Yosemite Sam, um Speedy Gonzales, o par Sylvester the Cat & Tweety Bird, Fohghorn Leghorn, Marvin the Martian ou Elmer Fudd. Tudo isto condimentado com música não menos invulgar e bem ritmada como a que outros históricos compuseram, como Carl Stalling, Milt Franklyn ou William (Bill) Lava.

Anunciou ontem a Warner Bros. que vão voltar aos cinemas a partir de 18 de Novembro deste ano (um filme) e outros dois em 2012, mas em formato do mais modernaço 3D. Nestas histórias curtas, todas originais, conta-se ainda com a voz de Mel Blanc em duas delas, inicialmente captada em dois temas musicais gravados para a Capitol Records nos anos de 1950s. Os filmes, dirigidos por Matthew O’Callaghan, são "Daffy’s Rhapsody" (de onde foi retirado o fotograma que abaixo reproduzo), "I Tawt I Taw a Puddy Cat" e "Untitled Coyote and Road Runner".

Foi-se, a era destes saudosos bonecos animados a 2 dimensões e sombras rudimentares. Isto agora pia mais fino. Se o Tweety Bird não levar a mal a minha expressão...

'Disparo, não disparo?' parece perguntar o Daffy em "Daffy’s Rhapsody" via CartoonBrew.com

quinta-feira, 9 de junho de 2011

24H de Le Mans 2011, a edição #79



Começa este sábado às 14H de Portugal (15h locais) a edição nº 79 da mais antiga prova automobilística mundial, as 24 Horas de Le Mans, disputadas no Circuito de la Sarthe. Pessoalmente, a primeira experiência que recordo da mítica prova data dos idos de 1969 quando assistia à final daquela excitante edição pela televisão (RTP). Fiquei positivamente "agarrado" ao ecrã com aquela saudosa "batalha" de gigantes entre vv e mm e, acho, foi este o meu começo da paixão pelas competições automóveis, Le Mans em particular e com lugar naturalmente especial no meu coração. Este ano, mais uma vez, lá irei fazer a directa da ordem para assistir à prova pelo Eurosport.

Em termos de participações nacionais este ano podemos voltar a ver os seguintes, nas classes LMP1 e LMP2 (infelizmente, das duas classes mais "baixas", mas não menos competitivas e interessantes, da prova, só temos um representante em LM GTE Pro e nenhum em LM GTE Am):
  1. A equipa Quifel-ASM Team de Miguel Paes do Amaral (coadjuvado no volante pelos mais experientes Olivier Pla e Warren Hughes) no seu Zytek 09SC nº 20 da Classe LMP2.
  2. Pedro Lamy no terceiro Peugeot 908 oficial, nº 9 (e sempre um candidato à vitória na Classe LMP1, fazendo equipa com Sébastien Bourdais e Simon Pagenaud).
  3. Tiago Monteiro (em equipa com Guillaume Moreau e Pierre Ragues) no OAK Pescarolo 01-Judd Nº 15 LMP1 do team OAK Racing.
  4. João Barbosa na classe seguinte, a LMP2, no bonito Lola B11/83 Coupe-HPD nº 33 (gosto do número!) do team americano Level 5 Motorsports, partilhando o volante com Scott Tucker e Christophe Bouchut.
  5. Rui Águas no nº 71 (co-pilotado pelos norte-americanos Robert Kauffman e o consagrado Michael Waltrip), um dos dois soberbos Ferrari 458 Italia GTC da Classe LM GTE Pro inscritos pelo Team AF Corse, sempre um dos favoritos à vitória final na classe.

Além do Eurosport, a corrida poderá igualmente ser acompanhada nos nossos PCs pelos seguintes endereços (oficiais da entidade organizadora, o clube ACO, Automobile Club de l'Ouest):

Facebook
Twitter
YouTube
>> Cronometragem oficial em directo <<

E ainda pelos seguintes:
radiolemans.com
mulsannescorner.com
Racecar-engineering.com 

Para terminar, não posso deixar de salientar o famoso "spotter guide" desenhado por Andy Blackmore, com todos os 56 carros inscritos em 2011:

quarta-feira, 8 de junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

CICLO DO CAFÉ (Almedina)



Porque cafés há muitos, venho aqui sugerir uma visita à Livraria Almedina do Atrium Saldanha, em Lisboa. Sob os auspícios do "café" (não é necessário trazer o seu ou sequer bebê-lo) a livraria coimbrã patrocina o contacto social directo do público com autores literários, bloggers e outras figuras mais ou menos conhecidas da nossa cultura. As sessões são suportadas por um blog (bloguedoscafes.blogs.sapo.pt) e têm uma duração que desconheço por ainda não ter estado presente em qualquer das já realizadas. Têm lugar todas as 4ªs e 5ªs feiras do mês, pelas 19h, e subordinam-se a vários temas. Café de Letras - Comunidade de Leitores, Café dos Direitos, Café da Política, Café do Eu, Café e Letras - Nós e os Clássicos e Café dos Blogues permitem, só pelos títulos, a escolha de qual interessa mais.
Já no próximo dia 8 deste mês o Café da Política aborda o pungente tema "Quais Elites?", moderado por Pedro Mexia e com a presença de André Freire e Miguel Nogueira de Brito. Naquele tema que mais nos interessará (aos bloggers, quero dizer) o Café dos Blogues no dia 30 de Junho traz-nos os temas "Delito de Opinião" e "Voz do Deserto", respectivamemte por Ana Margarida Craveiro e Tiago Cavaco, com moderação de Carla Hilário Quevedo (cronista do semanário SOL e no jornal diário gratuito Metro e ainda autora do blogue Bomba Inteligente) e, já em Julho, no dia 28, os temas "Da Literatura" (Eduardo Pitta) e "O Jansenista" (Jansenista).

Atenção que a sala, sita no piso 1, Loja 71 daquele conhecido espaço comercial da capital, apenas comporta uns — assim por alto, que não os contei, apesar de lá ir várias vezes por volta da hora de almoço — 20 lugares.

domingo, 5 de junho de 2011

Nada mais adequado...

... atendendo ao que estou a passar:


To be successful, you must decide exactly what you want to accomplish, then resolve to pay the price to get it.

RT @InspireUs (Twitter)

Blogs a seguir: "a kevin wada art blog"

O ilustrador vive em San Francisco e chama-se Kevin Wada. Chega-se até ele por aqui: http://kevinwadaart.blogspot.com/ e a visita não desiludirá quem procure ver arte original, com um quê de trágico mas, em simultâneo, familiar, notando-se a sua propensão para o design de moda, com menção especial para a soberba aplicação de cor. Um pequeno exemplo:


Weaver in Waiting , Kevin Wada.

sábado, 4 de junho de 2011

Quando Darth Vader foi passear na Disneyland

Engraçado, este vídeo promocional da diversão Star Tours aresentada em algumas Disneyland e de inspiração no universo Star Wars. Engraçado, como até o Lorde Negro parece recordar com deleite a sua infância (?!)...




George Lucas contra-ataca...

E assim eu fiquei sem saber qual o verdadeiro tio George...

Fake trailer escrito e dirigido por Bridge Stuart (que também interpreta George Lucas e Yoda) & Mike Litzenberg.

Frases

"Life is like photography: we use negatives to develop."
Autor desconhecido (façamos de conta que foste tu...)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Crónica a ler: "O robô e a máquina de propaganda"

Diga-se o que (dele e do jornal semanário que dirige) se disser, as crónicas de José António Saraiva (inclusive as que escrevia na coluna Política à Portuguesa quando era director do Expresso) sempre me soaram a análises bem escritas, bem pensadas e, acima de tudo, actuais e certeiras. No semanário SOL a sua Política a Sério mantém a mesma qualidade. No dia 30 do mês passado escreveu a crónica em título. A dois dias de eleições legislativas antecipadas em Portugal, vale a pena ler e meditar no que ele escreveu. Para que depois cada português possa votar em consciência e na posse de argumentos fortes (infelizmente para todos nós) e lógicos. Aqui não há demagogia, nem muito menos propaganda partidária. Apenas um cidadão que pensa pela sua cabeça, expondo a sua maneira de ver a actualidade política portuguesa. Com a qual não posso deixar de concordar.


O robô e a máquina de propaganda

A máquina do Governo dispõe de uma redacção que ataca os artigos e os colunistas considerados hostis.   Muitas vezes fala-se da ‘máquina de propaganda’ do Governo socialista.
Mas nunca houve uma tentativa séria de investigar como funciona, que métodos utiliza, quantas pessoas envolve, quem a dirige, etc.

Vou dizer o que sei.

Essa máquina desdobra-se por várias frentes.   Tem uma espécie de redacção central, que funciona como a redacção de um jornal, cuja missão é fazer constantemente contra-propaganda.   Dispõe de um blogue chamado Câmara Corporativa (http://corporacoes.blogspot.com) e está permanentemente atenta a tudo o que se publica, desmentindo as notícias consideradas negativas para o Governo.
Além disso, critica artigos de opinião publicados nos jornais, rebatendo os argumentos e, por vezes, ridicularizando ou desacreditando os seus autores.   Mobiliza pessoas para intervir nos fóruns tipo TSF que hoje existem em todas as estações de rádio e TV.   Selecciona na imprensa internacional notícias, artigos ou entrevistas favoráveis ao Governo português e põe-nos a circular entre jornalistas e colunistas ‘amigos’.   É por esta última razão que vemos às vezes opiniões publicadas em obscuros órgãos de comunicação estrangeiros citadas em Portugal por diversas pessoas como importantes argumentos.


Outra vertente são as relações com jornalistas.   Há uma rede de jornalistas ‘amigos’ e a coisa funciona assim:   um assessor fala com um jornalista amigo e dá-lhe determinada informação.   Chama-se a isto ‘plantar uma notícia’ – e todos os Governos o fazem.   Só que, uma vez a notícia publicada, às vezes com pouco destaque, os assessores telefonam a outros jornalistas e sopram-lhes:   «Viste aquela notícia no sítio tal? Olha que é verdade! E é importante!».   E assim a notícia é amplificada, conseguindo-se um efeito de confirmação.
Umas vezes as notícias plantadas são verdadeiras, outras vezes são falsas.   O Expresso, por exemplo, chegou a publicar em semanas consecutivas uma coisa e o seu contrário.   Significativamente, o que estava em causa era Teixeira dos Santos, que o PS queria queimar.   E constata-se que as notícias desagradáveis para a oposição têm mais eco do que outras.   Veja-se a repercussão que teve uma carta de António Capucho publicada no SOL, que era um documento interessante mas não tinha a relevância que acabou por ter.   A máquina de propaganda amplifica as notícias que interessam ao Governo.

Em seguida, os comentadores colocados pelo PS nos vários programas de debate que hoje enxameiam as televisões repetem os argumentos convenientes.   José Lello, Sérgio Sousa Pinto, Emídio Rangel, Francisco Assis, etc., repetem à saciedade, às vezes como papagaios, as mesmas ideias.   E mesmo António Costa, na Quadratura do Círculo, um programa de características diferentes, não foge à regra:   nunca o vi fazer uma crítica directa a Sócrates.   Mas vi-o fazer uma crítica brutal a Teixeira dos Santos, na tal altura em que começou a cair em desgraça.

As únicas situações em que as coisas fugiram do controlo da máquina socrática foram os casos Freeport e Face Oculta.   Só que aí era impossível abafá-los.   E para os combater foram lançadas contra-campanhas, como expliquei noutros artigos.   E houve pessoas que pagaram por isso.
A par das relações com os jornalistas, que se processam diariamente, há outro aspecto decisivo que passa pelo controlo dos principais meios.
A tentativa de comprar a TVI falhou, mas José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes foram afastados e a orientação editorial da estação mudou.   José Manuel Fernandes foi afastado do Público, e a orientação do jornal também mudou.   Medina Carreira foi afastado da SIC.   O SOL foi alvo de uma tentativa de asfixia.   E estes são apenas os casos mais conhecidos.

Por outro lado, o Governo soube cultivar boas relações com os patrões dos grandes grupos de media – a Controlinvest, a Cofina e a Impresa –, também como consequência das crises financeiras em que estes se viram mergulhados.
Podemos assim constatar que, das três estações de TV generalistas, nenhuma hoje é hostil ao Governo.    A RTP é do Estado, a TVI – que era muito crítica – foi apaziguada, a SIC tem--se vindo a aproximar do Executivo.   Ora isto é anormal na Europa.   Em quase todos os países há estações próximas da esquerda, há estações próximas da direita, há estações próximas do Governo, há estações próximas da oposição.   Em Portugal é diferente.

Ainda no plano da contra-propaganda, já falei noutras alturas da técnica do boomerang.   Como funciona?   Quando alguém da oposição (regra geral, o líder do PSD) diz qualquer coisa passível de exploração negativa, toda a máquina se põe a mexer para usar essa ideia como arma de arremesso contra quem a proferiu.
Passos Coelho diz que quer mudar certas regras na Saúde – e logo Francisco Assis, Silva Pereira, Vieira da Silva, Jorge Lacão ou Santos Silva, os gendarmes de serviço, vêm gritar:   «O PSD quer acabar com o Serviço Nacional de Saúde!».   Passos Coelho diz qualquer coisa sobre as escolas públicas e as privadas – e lá vêm os mesmos dizer:   «O PSD quer acabar com o ensino público gratuito!».   Passos Coelho diz que quer certificar as ‘Novas Oportunidades’ – e os mesmos repetem:   «O PSD ofendeu 500 mil portugueses!».   E, no final, todos dizem em coro:   «O PSD quer acabar com o Estado Social!».
Passos Coelho não soube lidar com isto de início.   E, perante estes ataques, acabou muitas vezes por bater em retirada.   Propôs uma revisão constitucional e recuou.   Outras vezes explicou-se em demasia.   E com isso deu uma ideia de impreparação e falta de convicção, que só recentemente conseguiu corrigir.

Mas a máquina não fica por aqui.   Tem muitas outras frentes de combate.   Os assessores do primeiro-ministro organizam dossiês para cada ministro, dizendo-lhes como devem reagir perante o que diariamente é publicado na imprensa.   Assim, bem cedo pela manhã, um assessor telefona a um ministro, faz-lhe uma resenha da imprensa e diz-lhe o que ele deve responder a esta e àquela pergunta.
Claro que há ministros que não aceitam este paternalismo.   Que querem ter liberdade para responder pela sua cabeça.   Mas esses ficam logo marcados.   Admito que Luís Amado não aceite recados, estou certo de que Campos e Cunha não os aceitou, Freitas do Amaral também não.   Mas a maioria dos outros aceitou-os ou aceita-os, até para tranquilidade própria:   assim têm a certeza de não cometer gaffes e não desagradar ao primeiro-ministro.

E já não falo nos boys colocados em todos os Ministérios e em todas as administrações das empresas públicas e que funcionam como correias de transmissão da opinião do Governo.   Rui Pedro Soares é o caso mais conhecido.   Mas obviamente não é o único.   Eles estão por toda a parte.   Muitas vezes nem têm posições de grande relevo.   Mas o facto de se saber que são os porta-vozes do poder confere-lhes importância acrescida, porque as pessoas receiam-nos.
Como resultado de tudo isto, muita gente, mesmo dentro do PS, tem medo.   Evita falar.   No congresso socialista, que mais parecia um encontro da IURD, vimos pessoas respeitáveis participar alegremente na farsa sem um gesto de distanciação.   Chegou a meter dó ver António Costa, António Vitorino, o próprio Almeida Santos, envolvidos naquela encenação patética.
Que foi produzida como uma super-produção, com sofisticados meios audiovisuais.   Quando Sócrates começou a proferir a primeira das três últimas frases do seu último discurso, uma música ‘heróica’ começou a ouvir-se baixinho.   E foi subindo, subindo de tom – e quando Sócrates acabou de falar a música estoirou, as luzes brilharam, não sei se houve fogo preso mas podia ter havido, choveram flores, foi a apoteose.

Quem dirigirá esta poderosa e bem oleada máquina de propaganda e contra-propaganda?

Haverá certamente um núcleo duro, ao qual não serão alheios aqueles que dão a cara nos momentos difíceis:   Francisco Assis, Jorge Lacão e os três Silvas:   Vieira da Silva, Augusto Santos Silva e Pedro Silva Pereira.
Há quem fale numa personagem misteriosa, sibilina, que não gosta dos holofotes e que dá pelo nome de Luís Bernardo.   Actualmente é assessor de Sócrates, antes foi assessor de Carrilho na Cultura.   Pedro Norton, actual número 2 da Impresa e seu amigo, diz que ele é «o homem mais inteligente que conhece».
Acontece que uma máquina política pode ser muito boa, pode estar muito bem oleada, pode funcionar na perfeição, mas tem sempre um ponto fraco:   depende em última análise da performance de um homem.

Durante anos essa performance foi quase perfeita – por isso chamei a Sócrates um ‘robô político’.   Ora esse robô, agora, começou a falhar.   E a derrota televisiva perante Passos Coelho pode ter posto em causa toda a engrenagem.   O robô engasgou-se, exaltou-se, esteve à beira de colapsar.
E quando isso acontece não há máquina de propaganda que valha.

(José António Saraiva, In Sol - 30/5/2011)

Frases

Life sucks. And then you die.

— Não me recordo da autoria.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Kido (19 Setembro 2000 - 31 Maio 2011)

Faleceu o meu cãozinho esta tarde. Bye bye #Kido. Havemos de continuar as brincadeiras. Um dia destes. Espera por mim, OK?