domingo, 5 de dezembro de 2010

Constato que...



É voz comum dizer-se que nós é que comandamos a nossa própria vida, com as decisões que tomamos (ou deixamos de tomar). Pois eu acho que raramente tenho comandado alguma coisa e, até, estarei convicto de ser mero títere, vítima de um mau argumentista de BD. De estar, de facto, *a viver* uma má estória dentro de uma BD. =P

Daft Punk, "Derezzed" (do filme TRON: Legacy)

Falo. Não falo?

Há um tema que me apetece aqui abordar. É algo de recorrente nas nossas vidas e, se o mencionasse explicitamente, só um hipócrita (de ambos os sexos) diria que não, não é.

Não o farei, para já. Provavelmente nunca. Ou teria de incluir aquela janela inicial de "aviso à navegação", antes de se entrar neste espaço.

The Klaxons, "Twin Flames"

Klaxons - Twin Flames from Modular People on Vimeo.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Pecados...

Acabei de misturar manteiga de amendoim Skippy [*] (a melhor de todas) com Ovomaltine (o único chocolate em pó que me tira do sério). =P

[*] A não confundir com esta série televisiva da minha saudosa juventude.

Scott Pilgrim: Na Boa Vida

Vou confessar uma (espécie de) ignorância: só ontem de manhã me apercebi de que tinha sido editado em Portugal uma BD do personagem Scott Pilgrim! (doravante aqui apelidado simplesmente de "SP")

— Mas quem é o Scott Pilgrim?

perguntam os meus parceiros de ignorância. Eu explico (deu-me um esperto entretanto...) Mas antes deixem-me executar um retrocesso enquadrador de toda esta estória à volta do SP.

Consequência natural do muito hype (pá, como adoro usar anglicismos; é mais forte do que eu, sorry [Oops! Lá veio outro]) gerado pelo marketing associado ao filme a ser lançado proximamente — Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World), dirigido por Edgar Wright (estreia em Portugal no próximo 9 de Dezembro) — SP acabou por também chegar ao nosso mercado pela iniciativa da Booksmile (todo o surfista-livreiro que se preze sabe bem que onda aproveitar).

Editada em 6 volumes que já atingiram o estatuto (lá fora...) de culto, o autor canadiano Brian Lee O'Malley leva-nos a espreitar a vida do jovem de 23 anos, preguiçoso desempregado que vive com um amigo gay e que é membro de uma banda de Rock, os Sex Bob-Omb, e de como a sua vida se começou a alterar desde o momento em que trava conhecimento com a única miúda a trabalhar como estafeta da Amazon na sua área, a Ramona Flowers. Apesar de já namorar uma miúda chinesa de 17 anos, Knives Chau, SP acaba por ficar caidínho pela Ramona. Já vos falei nos seus sete ex‑namorados maléficos? Não? Não importa: comprem os 2 livros até ao momento dados ao prelo e sigam tudo. Querem fazer batota? Esperem pelo filme e/ou depois comprem-no em Blu-ray ou DVD. Não se arrependerão — e, se se arrependerem, já sabem: o autor é o Brian Lee O'Malley.

Alguns sítios de interesse, a quem queira investigar um pouco mais:
http://www.scottpilgrim.com/
Página do autor, Bryan Lee O’Malley

O SP toca um soberbo baixo Rickenbacker 4003!


Descaradamente roubando (prendam-me...) as palavras de um autor/cineasta que me é muito querido, Joss Whedon, criador das séries de TV Buffy the Vampire Slayer (1997–2003), Angel (1999–2004), Firefly (2002) e Dollhouse (2009–2010):
'I need more Scott Pilgrim and I need it now.'

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Rabinho d'olho


Expressão popular que, julgo, todos saberão o que significa. Explico, mesmo assim, usando a definição do primeiro elemento linguístico (o rabo, em si):

Rabo
s. m.
1. Termo genérico com que se indica o apêndice caudal de todos os animais.
2. Infrm. Cu; nádegas.
3. Pop. Cabo, extremidade (por onde se pega num instrumento ou objecto).

Associando o "rabo" ao "olho" (há quem diga que são uma e a mesma coisa, mas não o posso confirmar, principalmente porque não o vejo bem) temos então o "Rabinho d'olho". Acrescentarei, então, mais esta definição:

4. Pop. #2. Jeito tão português de mirar, mais ou menos furtiva e secretamente, aquilo que o parceiro das redondezas estiver a ler, como se fosse algo de inapelavelmente irresistível (tipo, fotos de gajas nuas).

Em inglês há dois verbos para caracterizar esta atitude contemplativa: to stare e to peek (sim, sei que não são beeeem a mesma coisa, mas equiparam-se). Lá fora, aliás tal como cá, se ensina que "é feio espreitar" ou "é feito olhar, especado, para alguém" ou, ainda, "é feio mirar". Tudo coisas que a maioria do português ou já esqueceu, ou nunca lhe ensinaram...

A mim, que detesto sentir-me "mirado", ou sentir que alguém está a (tentar) ler o mesmo que eu, não me cai bem, desculpem. Que olhem para o lado, que raio! Se não querem gastar dinheiro num livro, revista ou jornal, então que peguem num Metro ou num Destak, que se fizeram para ser mirados, manuseados, e especadamente olhados por todos (e mais alguns)!

Por outras palavras: larguem-me a braguilha, pázinhos!! Olhem pela janela.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

R.I.P. Leslie Nielsen


11 Fevereiro 1926 - 28 Novembro 2010

Leslie Nielsen , um dos mais carismáticos comediantes, também conhecido pelo papel central no clássico filme de Ficção Científica, O Planeta Proibido Forbidden Planet, 1956).

Cabotino? Talvez. Piroso? Não digo que não. A verdade é que ficou indissociável de um tipo de postura na "tela", que era já uma imagem de marca: um dos homens que, de cara séria, mais me fazia rir nos filmes que protagonizou.

domingo, 28 de novembro de 2010

Brendan Perry, "Death Will Be My Bride"



Woke up this morning
Set off down the road
Left behind me all those years
Searching for a common soul
I've been looking for a thousand
And one distractions
To empty my mind
Of thoughts of loneliness
I've been looking for someone
To take away my frustrations
But all I find is a sea of emptiness
Death will be my bride
Death will be my bride
Three hours from sundown
I'm still on the road
With those voices in my head
Ringing down the years
For the wind whispers my name
And the leaves they lend a helping hand
If I don't reach you by this time tomorrow
I'll be stone cold dead in the ground
Death will be my bride
Death will be my bride

sábado, 27 de novembro de 2010

Samurai Executor


Punished is not the man, but the evil that resides in him.

Esta a frase chave que define e marca o conteúdo da clássica, entre nós pouco conhecida, obra gráfica (Manga) escrita por Kazuo Kuoke e desenhada pelo falecido mestre da arte, Goseki Kojima. Publicada no Japão entre 1972 e 1976, esta banda desenhada em 10 volumes, destinada ao leitor maduro, encontra-se traduzida para inglês em edição da norte-americana Dark Horse Comics.

Historicamente rigorosa, situa-se no período Edo do Japão feudal e relata a vida do decapitador Yamada Asaemon, popularmente conhecido como o samurai Kubikiri (literalmente 'corta-cabeças') Asaemon, ou simplesmente Kubikiri Asa.

Ocorreu-me aqui citar a frase, não só por si mas também para divulgar a obra, pois que ambas demonstram que nem sempre se deve avaliar com ligeireza aquilo que vemos, que toda a medalha tem duas faces (que se me desculpe o lugar-comum) e que todo o mal era castigado de forma terminal naquele período da nação aiática.

Mais informação sobre personagem, a obra e os seus autores, pode ser consultada nas seguintes Wikis:

Samurai Executor (Português)
Samurai Executioner (Inglês)

America, "A Horse With No Name" (1971)



On the first part of the journey,
I was looking at all the life.
There were plants and birds. and rocks and things,
There was sand and hills and rings.
The first thing I met, was a fly with a buzz,
And the sky, with no clouds.
The heat was hot, and the ground was dry,
But the air was full of sound.

I've been through the desert on a horse with no name,
It felt good to be out of the rain.
In the desert you can remember your name,
'Cause there ain't no one for to give you no pain.
La, la, la la la la, la la la, la, la
La, la, la la la la, la la la, la, la

After two days, in the desert sun,
My skin began to turn red.
After three days, in the desert fun,
I was looking at a river bed.
And the story it told, of a river that flowed,
Made me sad to think it was dead.

You see I've been through the desert on a horse with no name,
It felt good to be out of the rain.
In the desert you can remember your name,
'Cause there ain't no one for to give you no pain.
La la, la, la la la la, la la la, la, la
La la, la, la la la la, la la la, la, la

After nine days, I let the horse run free,
'Cause the desert had turned to sea.
There were plants and birds, and rocks and things,
There was sand and hills and rings.
The ocean is a desert, with its life underground,
And a perfect disguise above.
Under the cities lies a heart made of ground,
But the humans will give no love.

You see I've been through the desert on a horse with no name,
It felt good to be out of the rain.
In the desert you can remember your name,
'Cause there ain't no one for to give you no pain.

La la, la, la la la la, la la la, la, la
La la, la, la la la la, la la la, la, la
La la, la, la la la la, la la la, la, la
La la, la, la la la la, la la la, la, la
La, la, la la la la, la la la, la, la
La la, la, la la la la, la la la, la, la
La, la, la la la la, la la la, la, la
La la, la, la la la la, la la la, la, la

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"O Homem do Castelo Alto", de Philip K. Dick

(não tarda, algum dos meus não-leitores vai achar que este se tornou num espaço literário; arrisco [insisto?], mesmo assim, apesar de tal assunção estar longe das minhas intenções.)


Não possuo esta recente edição da Saída de Emergência, de uma das mais marcantes, e porventura das menos conhecidas, obras do meu escritor preferido de Ficção Científica (atrevo-me a chamar o estilo de Fi-Ci). Tenho um exemplar em formato de livro-de-bolso, adquirido nos idos de '980s do século passado, lançado na defunta colecção "Argonauta" dos Livros do Brasil.

À época, a leitura de "O Homem do Castelo Alto (1962)" impressionou-me de tal forma a ponto de se ter tornado quase-quase no meu livro favorito de todos os escritos por PKD (tenho 22 deles, a propósito; a título de curiosidade, veja-se aqui a bibliografia completa do autor). Por duas razões. São elas (um)a História Alternativa dos Estados Unidos e o I-Ching.

Por feitio (defeito?), tudo o que me cheire a "alternativo" (declaradamente revelado como tal, ou porque suspeito que o possa ser...) me atrai de imediato. Obviamente que a História se inclui neste grupo. Neste caso será o "E se...?" que me ajuda/põe a pensar de outra forma e a tentar perceber a que ponto a não-linearidade nos poderia tornar outros.

A segunda razão que me encantou nesta obra em concreto deriva das constantes menções (que me levam mesmo a dizer tratar-se de um dos personagens) ao I Ching. Até à data tinha ouvido falar deste livro-oráculo, sem ter sentido necessidade de aprofundar o tema, mas a forma insistente como era abordado em "O Homem..." apontou-me também nesta direcção. Confesso que andei uns tempos a transportar comigo as 3 moedinhas da ordem (e a usá-las, pois então!)...

Pensando bem, acho que o vou ler de novo, mesmo que em páginas entretanto amarelecidas pela passagem do Tempo. Ou serei eu que estarei desfasado dele? ;)

Não é minha intenção avançar intelectualizar demasiado o livro agora reeditado e, por isso, vou terminar este texto. Apenas o escrevo como dica, na esperança de poder vir a cativar mais alguém para o homem, o do castelo alto e o outro, o autor e a sua obra. Entretanto, e graças à simpática oportunidade dada pela editora, aconselho a leitura do excerto de 11 páginas de "O Homem do Castelo Alto", que se inicia com um ensaio de Nuno Rogeiro intitulado "DE UM CASTELO AO OUTRO - Engenharia e Engenho na Ficção “Científica” de Philip K. Dick" e continua com "Um olhar detalhado sobre a obra completa" de PKD.


"Tenho um amor secreto pelo caos. Devia haver mais."

Disse Philip K. Dick. Subscrevo sem reservas...

"A História do Japão"


É o livro que leio actualmente. Escrito por Kenneth G. Henshall (professor de Estudos Japoneses na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia), disponível em Portugal pelas Edições 70 desde 2008, era uma das opções de leitura na minha (infindável) lista. Sou fã (digamos) do Japão e da sua cultura desde há umas boas décadas, quando comecei a estudar artes marciais. Afinidade que depois passou para o cinema (animado e com actores reais), a literatura, a banda desenhada e objectos de diversa natureza. Basicamente e sem tornar a coisa numa "doença", costumo adquirir, na medida do possível, algum material que me aproxima daquelas paragens (terei sido nipónico numa outra vida?).

Os anos foram passando e apesar de não ser o único livro que possuo sobre o país, este um dos primeiros que leio de ponta-a-ponta sobre as origens e evolução da nação asiática. Numa época em que cada vez mais se fala do Japão e das suas "proezas" económico-culturais, cada vez mais influenciadoras e presentes nas nossas vidas diárias, quantos de vocês (e eu incluído) podem afirmar que realmente conhecem aquela terra e as suas gentes? Deixemo-nos de lugares-comuns, leiamos a obra, escrita por um especialista, e façamos parte dos que passarão a saber do que se fala quando se fala do "Japão".

Permito-me reproduzir a sinopse da obra, retirada da página da editora:

O impacto do Japão no mundo moderno é imenso. Embora ocupe apenas 0,3% da área terrestre do planeta, produz 1/6 da riqueza mundial. Há apenas 150 anos era um país isolado, que cultivava arrozais e estava à mercê de déspotas feudais. Nos 50 anos seguintes tornou-se uma potência imperial - o seu primeiro milagre. No final da II Guerra Mundial o país esteve perto da aniquilação, após dois ataques nucleares e a consequente derrota. E muitos desejavam a erradicação dos Japoneses. Contudo, não só o Japão sobreviveu como se tornou uma superpotência económica - o segundo milagre.
Para se perceber os feitos do Japão é preciso conhecer a sua história, pois a forma como reagiu a sucessivos reveses tem origem em práticas enraizadas, algumas ancestrais.

Recomendado. Vivamente.

Kenneth G. Henshall
Tema: História
Colecção: História Narrativa
Ano: 2008
Tipo de capa: Brochada
ISBN: 9789724415338 | 304 págs
Preço: €20.14

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Revista Mojo Classic dedicada a Frank Zappa


Era impossível resistir (considerando tratar-se do meu músico-fétiche/favorito). Comprei hoje a revista Mojo Classic dedicada a Frank Zappa. Uma edição especial de 148 páginas que pretende comemorar o 70º aniversário deste homem de excepção. Cito o texto da página:

Frank Zappa said that rock journalism "is people who can't write, doing interviews with people who can't think, in order to prepare articles for people who can't read..."

But we don't care. To celebrate the 70th anniversary of his birth, MOJO has produced a 148-page special edition in the great man's honour. Inside: the true story of Zappa, the rock star, composer, satirist, activist and guitar hero, including unseen photos, in-depth stories and exclusive interviews.

PLUS Alice Cooper shares Zappa's advice on dealing with dead chickens ("Don't tell anyone you didn't kill 'em"), Howard "Flo & Eddie" Kaylan on how Frank helped him dodge the Vietnam draft ("Go gay!"), guitar whizkid Steve Vai on what it's like to play with Zappa ("Anxiety wells up in my stomach and I feel like I'm going to shit my pants") and Matt "The Simpsons" Groening on the correct terminology for Frank's facial hair ("It's not a goatee"). All this and 94 Zappa albums reviewed. Dare you miss it?

€8,70 bem empregues, se ainda a conseguirem encontrar, darão acesso a uma viagem musical que compreende entrevistas, fotos inéditas, timelines, crítica aos seus 94 álbuns e muito mais. Destaco ainda as páginas dedicadas à "Zappa's people", algumas das pessoas, umas mais conhecidas que outras, que à volta de Zappa circularam e se tornaram parte essencial da sua vida e obra.

Mais informação no blogue United Mutations, de onde retirei a foto de capa e se poderão conhecer os artigos (títulos).

O passatempo "Nicola Lovers"


Todos os bebedores de café ou chá (que se derem ao trabalho) já deverão ter constatado e/ou lido no verso dos pacotinhos amarelos de açúcar distribuídos pela Nutricafés os resultados do mais recente passatempo (que desperdício...) da Nicola subordinado agora ao tema "Nicola Lovers". Basicamente, um concurso de "declarações de amor" tendo em vista o ganho de uma estadia para dois num hotel e bla-bla-bla...

Após o almoço de hoje com colegas, dei-me ao trabalho de dar mais atenção às frases que aleatoriamente nos calharam em sorte. Pretexto para mais uma viagem... E confesso que o café me ia sabendo cada vez mais amargo, à medida que as lia...

Ora vejamos... Escrever sobre 'Amor'? Louvável. Em pacotes de açúcar? Sinais dos tempos. Com o calibre das frases escolhidas? Dispensável.

Numa leiloeira nacional online pude constatar a oferta de pelo menos 19 exemplares diferentes, ao preço de €3,50. Sim, o Amor está "assim" tão baratamente desvalorizado.... Uns exemplos:

"O amor é restituirmo-nos por inteiro dando-nos até ao fim"
"Ainda espero o amor como no ringue o lutador caído espera a sala vazia"
"Procuramos o amor e a morte em cada rio para para que seja igual ao mar a nossa vida"

Todas assim, tout-court, sem qualquer tipo de pontuação saramaguiana. Ao lê-las só me apetece odiar toda a gente. =P Por mim, vou passar a usar adoçante. Ou, mesmo, deixar de beber cafés em definitivo...