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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

BANG!!

Não, não estou a treinar tiro com pistola. Trata-se simplesmente do nome da publicação em formato e-book, muito boa, digo-o já, da revista da editora Saída de Emergência (SE).

Há poucos dias foi disponibilizada nova edição online, a oitava (que é na realidade a nona, uma vez que nasceu no número zero) à qual se pode aceder clicando na imagem de capa:


Todos os e-números até agora editados podem ser vistos e descarregados aqui, gratuitamente. Com conteúdo dividido entre a ficção e a não-ficção, esta é uma boa forma de divulgação da actividade editorial da SE, na qual se inserem excertos de obras por ela publicadas, bem como textos inéditos de autores nacionais e estrangeiros.

Sempre é uma alternativa para a todos aqueles cujos horizontes literários, em modo de leitura gratuita ("e-" ou não), se restringem ao Metro, Destak, Oje, Borda d'Água e quejandos. E friso que nada tenho contra estes (além de, por serem jornais, me sujarem as mãos que até arrepia).

sábado, 27 de novembro de 2010

Samurai Executor


Punished is not the man, but the evil that resides in him.

Esta a frase chave que define e marca o conteúdo da clássica, entre nós pouco conhecida, obra gráfica (Manga) escrita por Kazuo Kuoke e desenhada pelo falecido mestre da arte, Goseki Kojima. Publicada no Japão entre 1972 e 1976, esta banda desenhada em 10 volumes, destinada ao leitor maduro, encontra-se traduzida para inglês em edição da norte-americana Dark Horse Comics.

Historicamente rigorosa, situa-se no período Edo do Japão feudal e relata a vida do decapitador Yamada Asaemon, popularmente conhecido como o samurai Kubikiri (literalmente 'corta-cabeças') Asaemon, ou simplesmente Kubikiri Asa.

Ocorreu-me aqui citar a frase, não só por si mas também para divulgar a obra, pois que ambas demonstram que nem sempre se deve avaliar com ligeireza aquilo que vemos, que toda a medalha tem duas faces (que se me desculpe o lugar-comum) e que todo o mal era castigado de forma terminal naquele período da nação aiática.

Mais informação sobre personagem, a obra e os seus autores, pode ser consultada nas seguintes Wikis:

Samurai Executor (Português)
Samurai Executioner (Inglês)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

"O Homem do Castelo Alto", de Philip K. Dick

(não tarda, algum dos meus não-leitores vai achar que este se tornou num espaço literário; arrisco [insisto?], mesmo assim, apesar de tal assunção estar longe das minhas intenções.)


Não possuo esta recente edição da Saída de Emergência, de uma das mais marcantes, e porventura das menos conhecidas, obras do meu escritor preferido de Ficção Científica (atrevo-me a chamar o estilo de Fi-Ci). Tenho um exemplar em formato de livro-de-bolso, adquirido nos idos de '980s do século passado, lançado na defunta colecção "Argonauta" dos Livros do Brasil.

À época, a leitura de "O Homem do Castelo Alto (1962)" impressionou-me de tal forma a ponto de se ter tornado quase-quase no meu livro favorito de todos os escritos por PKD (tenho 22 deles, a propósito; a título de curiosidade, veja-se aqui a bibliografia completa do autor). Por duas razões. São elas (um)a História Alternativa dos Estados Unidos e o I-Ching.

Por feitio (defeito?), tudo o que me cheire a "alternativo" (declaradamente revelado como tal, ou porque suspeito que o possa ser...) me atrai de imediato. Obviamente que a História se inclui neste grupo. Neste caso será o "E se...?" que me ajuda/põe a pensar de outra forma e a tentar perceber a que ponto a não-linearidade nos poderia tornar outros.

A segunda razão que me encantou nesta obra em concreto deriva das constantes menções (que me levam mesmo a dizer tratar-se de um dos personagens) ao I Ching. Até à data tinha ouvido falar deste livro-oráculo, sem ter sentido necessidade de aprofundar o tema, mas a forma insistente como era abordado em "O Homem..." apontou-me também nesta direcção. Confesso que andei uns tempos a transportar comigo as 3 moedinhas da ordem (e a usá-las, pois então!)...

Pensando bem, acho que o vou ler de novo, mesmo que em páginas entretanto amarelecidas pela passagem do Tempo. Ou serei eu que estarei desfasado dele? ;)

Não é minha intenção avançar intelectualizar demasiado o livro agora reeditado e, por isso, vou terminar este texto. Apenas o escrevo como dica, na esperança de poder vir a cativar mais alguém para o homem, o do castelo alto e o outro, o autor e a sua obra. Entretanto, e graças à simpática oportunidade dada pela editora, aconselho a leitura do excerto de 11 páginas de "O Homem do Castelo Alto", que se inicia com um ensaio de Nuno Rogeiro intitulado "DE UM CASTELO AO OUTRO - Engenharia e Engenho na Ficção “Científica” de Philip K. Dick" e continua com "Um olhar detalhado sobre a obra completa" de PKD.


"Tenho um amor secreto pelo caos. Devia haver mais."

Disse Philip K. Dick. Subscrevo sem reservas...

"A História do Japão"


É o livro que leio actualmente. Escrito por Kenneth G. Henshall (professor de Estudos Japoneses na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia), disponível em Portugal pelas Edições 70 desde 2008, era uma das opções de leitura na minha (infindável) lista. Sou fã (digamos) do Japão e da sua cultura desde há umas boas décadas, quando comecei a estudar artes marciais. Afinidade que depois passou para o cinema (animado e com actores reais), a literatura, a banda desenhada e objectos de diversa natureza. Basicamente e sem tornar a coisa numa "doença", costumo adquirir, na medida do possível, algum material que me aproxima daquelas paragens (terei sido nipónico numa outra vida?).

Os anos foram passando e apesar de não ser o único livro que possuo sobre o país, este um dos primeiros que leio de ponta-a-ponta sobre as origens e evolução da nação asiática. Numa época em que cada vez mais se fala do Japão e das suas "proezas" económico-culturais, cada vez mais influenciadoras e presentes nas nossas vidas diárias, quantos de vocês (e eu incluído) podem afirmar que realmente conhecem aquela terra e as suas gentes? Deixemo-nos de lugares-comuns, leiamos a obra, escrita por um especialista, e façamos parte dos que passarão a saber do que se fala quando se fala do "Japão".

Permito-me reproduzir a sinopse da obra, retirada da página da editora:

O impacto do Japão no mundo moderno é imenso. Embora ocupe apenas 0,3% da área terrestre do planeta, produz 1/6 da riqueza mundial. Há apenas 150 anos era um país isolado, que cultivava arrozais e estava à mercê de déspotas feudais. Nos 50 anos seguintes tornou-se uma potência imperial - o seu primeiro milagre. No final da II Guerra Mundial o país esteve perto da aniquilação, após dois ataques nucleares e a consequente derrota. E muitos desejavam a erradicação dos Japoneses. Contudo, não só o Japão sobreviveu como se tornou uma superpotência económica - o segundo milagre.
Para se perceber os feitos do Japão é preciso conhecer a sua história, pois a forma como reagiu a sucessivos reveses tem origem em práticas enraizadas, algumas ancestrais.

Recomendado. Vivamente.

Kenneth G. Henshall
Tema: História
Colecção: História Narrativa
Ano: 2008
Tipo de capa: Brochada
ISBN: 9789724415338 | 304 págs
Preço: €20.14