As corridas de dragsters (Drag Racing) sancionadas pela NHRA estão entre as muitas variantes do chamado Desporto Automóvel que desde sempre me despertaram interesse. Originárias dos Estados Unidos da América, acabaram por se espalhar um pouco por todo o mundo, com especial relevo para o norte da Europa. Disputam-se entre veículos de 4 ou 2 rodas, mas os primeiros são bem mais interessantes (e brutais, em vários aspectos).
Os pilotos profissionais competem em 4 classes principais de carros, os Top Fuel, os Funny Car e os Pro Stock, e as regras base não podiam ser mais simples (engano que deixo passar, para não tornar este texto demasiado extenso ou técnico; mais detalhes poderão ser apreciados no primeiro link deste post): em cada par de concorrentes vence o que percorrer mais rapidamente a distância de um quarto de milha (cerca de 400 metros), em linha recta, a partir da posição de paragem absoluta. As partidas são dadas por um sistema (a árvore de Natal) de 9 luzes colocadas verticalmente, que se vão acendendo em sequência do topo para baixo sendo que a última, geralmente encarnada, dita a partida. Isto faz com que não baste que o carro seja o mais potente e rápido, o piloto tem de ter um tempo de reacção compatível com o 0.5 segundo que decorre entre o acender de cada uma das últimas 3 luzes.
A "brutalidade" a que me referi no início vem disto: potências de motor na casa dos 8.500 a 10.000 cavalos (BHP) nos Top Fuel e 6.900 a 8.000 cavalos nos Funny Car, acelerações instantâneas de mais de 6G e velocidades à chegada superiores aos 500 Km/h, tudo isto em menos de 5 segundos! E finalmente, mas não menos importante, por uma estética muito própria, sensações fortíssimas para os espectadores (nem falo nos pilotos...) e ruído de fazer calar até o próprio Demo. Ou não funcionassem os motores das 2 classes de topo com cerca de 85–90% de nitrometano com 10–15% de metanol como combustível... Dragões sobre rodas, pois.
O que dá à expressão "motores de explosão" toda uma nova dimensão... E a prová-lo, segue um vídeo do run (que venceu, apesar do sucedido) de Gary Densham em 2009 no qual em meio segundo uma explosão no motor fez desintegrar-se a carroçaria em fibra do seu Funny Car. Foram só 50,000 dólares a voar num ápice. Vamos ver:
Visita recomendadíssima a fãs de arte baseada em Ficção Científica e não só. Um festim visual!
E que difícil se tornou a escolha da próxima nave a adquirir...
É o título do texto que o autor e argumentista Rob Kroese ("And it's pronounced KROO-zee", como ele insiste) publicou no seu site há três dias a propósito de um livro que está a escrever sobre a auto-edição de romances e o papel do e-publishing na divulgação de obras directamente pelos próprios autores.
Como se sabe, o panorama da edição está a mudar. E começou há muitos anos, inicialmente discreta e lentamente. Esta nova onda começou a ganhar corpo em meados dos anos de 1990 do século XX e, mais recentemente, sofreu um grande impulso. A cronologia está completa q.b. e lendo-a fica-se realmente com a ideia da evolução da indústria da edição literária. Um novo século, um novo paradigma. O digital aí está, seja pela difusão electrónica de obras, a serem lidas em computadores pessoais ou leitores exclusivamente dedicados a este fim, ou recorrendo às redes sociais entretanto criadas.
E não ficaremos, seguramente, por aqui. Pessoalmente — falando apenas no lado "consumidor" na equação da produção literária — sou dos que prefere (ainda) cheirar e manusear um livro, seja ele qual for. Em algumas circunstâncias, todavia, não digo que não recorreria a um leitor digital de livros (e-Book Reader ou e-Reader). Mas não me estou a ver a deixar de olhar para um livro como uma unidade e não como uma engenhoca electrónica dentro da qual guardo a Biblioteca de Alexandria. Hmm, pensando bem não é o que já fazemos (eu incluído...) com o consumo e propriedade da música? Contradições culturais...
Citando uma das várias mulheres, Margarida de seu nome, com quem o escritor cubano Guillermo Cabrera Infante (1929-2005) partilhou a intimidade e que lhe serviu de mote para a obra que a Quetzal Editores lançou recentemente no mercado português, Corpos Divinos. Cit. que retiro, por sua vez, da crítica apresentada na revista Time Out Lisboa (nº 173, 19 a 25 de Janeiro 2011).
Porquê uma "verdade" e porque gosto tanto dela, que a fiz a primeira de (julgo eu) várias outras que se me ocorrerem, de que me lembre ou que comigo se cruzarem? Uma verdade porque só a vã soberba humana se poderá considerar de pura e imaculada, perfeita mesmo. É preciso contrariar-se o conceito da perfeição física, algo que não existe nem mesmo naqueles e naquelas que se convencionou (sem que alguma vez tenha entendido exactamente porquê) considerar como acima dos restante mortais — o que me faz recordar outra verdade, esta, sim, absoluta e inescapável: Memento Mori. Está assim igualmente explicada a razão pela qual gosto dela: frontal, directa e sucinta.
Para quem não tenha Facebook (FB), é com enorme prazer que aqui partilho esta pérola ontem lá colocada por um utilizador português. Nela, um recém-licenciado, em resposta a um anúncio de oferta de emprego, decidiu responder-lhe "à letra". O texto original aqui segue na íntegra e sem modificações de qualquer espécie, excepto alguma formatação dos caracteres:
"Este anúncio foi publicado num famoso site de procura e oferta de trabalho nacional. Um jovem recém-licenciado na área leu-o e achou que devia responder à letra!
A Revista Visão de 16 de Julho publica um artigo sobre o jovem que deu esta resposta!
A XXXXXXXXXX está a aceitar candidaturas para estágio na área de Design
Requisitos Académicos: Finalista ou recém-licenciada(o) em Design
Competências pessoais:
* Poder de comunicação;
* Iniciativa;
* Auto-motivação;
* Orientação para resultados;
* Capacidade de planeamento e organização;
* Criatividade
Competências técnicas:
Conhecimentos nos seguintes programas/linguagens
® Adobe Photoshop,
® InDesign,
® Illustrator (FreeHand e Corel Draw) Flash,
® Dreamweaver,
® Premiere,
® AfterEffects,
® SoundBooth,
® SoundForge,
® AutoCad,
® 3D StudioMax
® HTML (basic),
® ActionScript 2.0 (basic),
® CSS,
® XML.
Remuneração: Estágio Remunerado
Duração: 6 meses, com possibilidade de integração na equipa
Portanto, e resumindo, esta empresa quer um recém-licenciado que saiba de origem 13 softwares e 4 linguagens de programação. Isto é o país em que vivemos.
Não me ficando atrás perante esta pérola, decidi responder no mesmo estilo. Eis o que lhes respondi:
Boa noite,
Estou a entrar em contacto para responder ao anúncio colocado no site Carga de Trabalhos para a posição de estagiário em Design.
Chamo-me André Sousa, tenho 25 anos e sou um recém-licenciado em Design de Equipamento (Fac. Belas Artes de Lisboa).
Sou extremamente comunicativo, transbordo iniciativa e auto-motivação, estou constantemente orientado para os objectivos como uma bússola para o Norte (magnético), sou mais planeado e organizado que o Secretário de Estado de Planeamento e Organização e sou um diamante da criatividade como já devem ter percebido e como vão poder comprovar nas próximas linhas.
Quanto aos conhecimentos técnicos:
Sou um mestre em Adobe Photoshop.
Conheço o InDesign por dentro e por fora.
O Illustrator, Freehand, Corel e o Flash são os meus brinquedos do dia a dia, faço o que quiser com eles.
Nem me ponham a falar do Dreamweaver, até de olhos fechados...
Premiere... Até sonho com ele!
AfterEffects tem um lugar especial no meu coração.
Faço umas coisas bem maradas com o SoundBooth e o SoundForge.
Com o Autocad e o 3d Studio Max até vos faço duvidar dos vossos próprios olhos.
Html, Action Script 2.0, CSS e XML são as linguagens do meu mundo.
Mas sejamos francos, qualquer estudante de 1º ano sabe de cor e salteado qualquer um destes 13 softwares e 4 linguagens de programação...
Eu sou um recém finalista. E como tal tenho muito mais para oferecer:
Tenho conhecimentos de Cinema 4D, Maya, Blender, Sketch Up e Paint ao nível de guru.
Tenho conhecimentos mega-avançados de C+, C, C++, C+ ou -, Java, JavaScript, Ruby on Rails, Ruby on Skates, MySQL, YourSQL, Everyone'sSQL, Action Script 3.0, Drama Script 3.0, Comedy Strip 3.0 e Strip Tease 2.5, Ajax, Vanish Oxi Action, Oracle, Sonasol, XHTML, Batman e VisualBasic.
Conheço o Office todo de trás pra frente assim como o Microsoft WC.
Domino o Flex ao nível do Bill Gates e mexo no Final Cut Pro melhor que o Steven Spielberg.
Tenho ainda conhecimentos de grande amplitude em 4 softwares que estão a ser desenvolvidos por grandes marcas e também de 3 outros softwares que ainda não foram inventados.
Falo 17 línguas, 5 das quais já estão mortas e 6 dialectos de povos indígenas por descobrir.
Com estes conhecimentos todos estou super interessado num estágio porque acho que ainda tenho muito para aprender e experiência para ganhar. Espero que ao fim de 6 meses tenha estofo suficiente para poder fazer parte da vossa equipa e quem sabe liderá-la.
Fico ansiosamente à espera de uma resposta vossa.
Embora tenha uma oportunidade de emprego na NASA e outra no CERN espero mesmo poder fazer parte da vossa equipa.
Cumprimentos,
A. S.
PS: Com um anúncio desses, a pedir o que pedem a um recém-licenciado, é uma resposta destas que merecem. Peço desculpa se feri susceptibilidades mas não me consegui conter."
Eu, se fosse empregador, aceitava-o já. Para já, revela uma lucidez digna de registo (mais, até, que a tal empresa que parece querer exigir o Universo a um pobre (em mais do que um sentido, na esmagadora maioria dos casos) recém-licenciado, a troco de migalhas e promessas de nada.
Infelizmente, este chico-espertismo profissional empresarial é mais comum do que se possa pensar. Assim houvessem mais pessoas a responder desta forma a anúncios deste calibre e talvez quem "oferecesse" trabalho (mas alguém ainda acredita na estória da carochinha e vergonhosa contradição de termos que é a expressão "Oferta de trabalho"? Alguém oferece alguma coisa a alguém, ainda por cima nos dias actuais?)
Isto é tecno-escravatura encapuçada, dirigida, qual aranha voraz que tece a teia que pretende apanhar incautas vítimas, a pessoas menos avisadas! Eu, com proficiência naqueles ambientes todos, também aceitaria "ofertas" de uma NASA, dum CERN. Só.
Escrevo este texto tendo em atenção duas das minhas paixões: fotografia e desporto automóvel. E começo-o destacando Christopher Wilson, norte-americano especializado na temática desportiva. Após uma carreira de 15 anos na área da publicidade, onde foi escritor, director de arte e designer, decidiu em 2005 dedicar-se à fotografia a tempo inteiro. Cheguei até ele por intermédio de um dos blogs que sigo (Just A Car Guy) e foi aqui que descobri as belas fotos que captou durante a Bonneville Speed Week que tem lugar no deserto salgado de Bonneville, situado no noroeste do estado norte-americano do Utah.
Este deserto tem estado associado desde há décadas às tentativas (e conquistas) de quebra do Recorde de Velocidade Terrestre (ou Land Speed Record) em quatro e duas rodas. Digamos sobre estes que serão os pesos-pesados da velocidade, ou, eufemisticamente, semi-profissionais empenhados. Mas também há "os outros", os verdadeiros amadores que tentam emular os primeiros (quem não sente excitação por uma bela velocidade pura?) e que constroem os protótipos nas traseiras da sua casa. Para estes últimos, existe o evento anual (este ano entre 13 e 19 de Agosto), em bom tempo documentado fotográfica e artisticamente por Christopher Wilson, a Bonneville Speed Week. Uma verdadeira "Salt Fever", ou Febre do Sal, que captou em Outubro de 2009.
Olhando para a beleza nua da paisagem, até já ouço os roncares, mesmo que a uma distância infinita do local.
Isto é que são prémios! Daqueles que nos fazem realmente ver o "podre" da arte do entretenimento (baseados em pressupostos eventualmente discutíveis, certamente) em vez de se enaltacerem até aos túbaros as virtudes desta ou daquela "estrela" de carne-e-osso ou de obra cinematográfica de pendurar na parede da sala, endeusando-os perante plateias condescendentes — nada de mais, atendendo a que os monitores em que hoje em dia os desfrutamos já *são* penduráveis numa parede...
As razias vendavalescas que são apanágio destas pedradas no charco cá estão de novo, em 31ª edição, com as nomeações a lembrarem-nos o que de mau(zinho) se pôde (ou não, ou não, com-sorte-e-queira-dEUS) assistir nos ecrãs em 2010. E este ano com a estreia de uma nova categoria: a de "Pior Uso do 3-D".
Graças ao io9, que cito, eles aqui estão, os Nomeados para os Razzies 2011. Quem arrecadará a ansiada Framboesa de Ouro (a jocosamente baptizada Razzberry, ou "Razzie" para os inimigos)? Veredictos a saírem já no próximo dia 26 de Fevereiro, véspera da cerimónia dos Óscares na sua 83ª edição.
Já se sabe: o que ficar em último é o melhor! =P
Pior Filme
The Bounty Hunter (Columbia Pictures/Relativity Media) The Last Airbender (Paramount/Nickelodeon Movies) Sex and the City 2 (Warner Bros/New Line/HBO Pictures) The Twilight Saga: Eclipse (Summit Entertainment) Vampires Suck (20th Century-Fox/Regency Enterprises)
Pior Actor
Jack Black in Gulliver's Travels
Gerald Butler in The Bounty Hunter
Ashton Kutcher in Killers and Valentine's Day
Taylor Lautner in The Twilight Saga: Eclipse and Valentine's Day
Robert Pattinson in Remember Me and The Twilight Saga: Eclipse
Pior Actriz
Jennifer Aniston in The Bounty Hunter and The Switch
Miley Cyrus in The Last Song
The Four "Gal Pals" (Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis & Cynthia Nixon) in Sex and the City 2
Megan Fox in Jonah Hex
Kristen Stewart in The Twilight Saga: Eclipse
Pior Actor Secundário
Billy Ray Cyrus in The Spy Next Door
George Lopez in Marmaduke, The Spy Next Door and Valentine's Day
Dev Patel in The Last Airbender
Jackson Rathbone in The Last Airbender and The Twilight Saga: Eclipse
Rob Schneider in Grown Ups
Pior Actriz Secundária
Jessica Alba in The Killer Inside Me, Little Fockers, Machete and Valentine's Day
Cher in Burlesque
Liza Minnelli in Sex and the City 2
Nicola Peltz in The Last Airbender
Barbra Streisand in Little Fockers
Pior Casal / Elenco no Ecrã
Jennifer Aniston and Gerald Butler in The Bounty Hunter
Josh Brolin's Face and Megan Fox's Accent in Jonah Hex
The Entire Cast of The Last Airbender
The Entire Cast of Sex and the City 2
The Entire Cast of The Twilight Saga: Eclipse
Pior Prequela, Remake, Imitação ou Sequela
Clash of the Titans The Last Airbender Sex and the City 2 The Twilight Saga: Eclipse Vampires Suck
Pior Director
Jason Friedberg & Aaron Seltzer for Vampires Suck
Michael Patrick King for Sex and the City 2
M. Night Shyamalan for The Last Airbender
David Slade for The Twilight Saga: Eclipse
Sylvester Stallone for The Expendables
Pior Argumento
The Last Airbender (written by M. Night Shyamalan, based on the TV series created by Michael Dante DiMartino and Bryan Konietzko) Little Fockers (written by John Hamburg and Larry Stuckey, based on characters created by Greg Glienna and Mary Ruth Clarke) Sex and the City 2 (written by Michael Patrick King, based on the TV series created by Darren Star) The Twilight Saga: Eclipse (screenplay by Melissa Rosenberg, based on the novel by Stephenie Meyer) Vampires Suck (written by Jason Friedberg & Aaron Seltzer)
Pior Falhanço-de-Arrancar-Olhos No Uso de 3-D [*]
Cats & Dogs: The Revenge of Kitty Galore Clash of the Titans The Last Airbender The Nutcracker in 3D Saw 3D
[*] Desculpem, mas perde-se, na tradução, a graça do original "Worst Eye-Gouging Mis-Use of 3-D" (com éne variantes possíveis em Português...)
Está pelos vistos a tornar-se “moda” urbana, pelo menos em Lisboa. Já aqui falei do assunto das fachadas de prédios devolutos (ou a necessitarem de urgente intervenção estrutural, para não dizer renovação estética) que passaram a ser decorados com intervenções de artistas plásticos, em jeito de "OK, vamos fazer aqui uma intervenção artística e ao mesmo tempo disfarçar que esta cena está há anos sem que alguém lhe preste atenção".
Além dos dois casos que já aqui referi (e o de OSGEMEOS foi pioneiro neste tipo de intervenção) há um par de dias constatei que também no topo da Avenida da Liberdade, à esquerda de quem se dirige à Praça do Marquês de Pombal (não tenho ainda fotos), mais uma fachada foi submetida a este tratamento.
Não questiono (mas, sim, este texto tem o intuito de questionar, ou não o teria escrito de todo) a decisão de os pintar. Questiono sim (aliás, suspeito), é que estas medidas camarárias servem para mascarar, ao abrigo do projecto Pampero Public Art 2010 e em mais do que um sentido, a costumeira incúria a que a Câmara Municipal de Lisboa vota ao seu património urbano. A menos que os ditos edifícios lhe não pertençam, caso em que os respectivos proprietários deveriam ser responsabilizados pelo estado a que deixaram chegar os seus bens imóveis.
A justificar as minhas suspeitas, por exemplo, o edifício da Avenida Fontes Pereira de Melo pintado (e muito bem) pel’OSGEMEOS, estava há muitos anos devoluto e a necessitar de obras (ainda e cada vez mais), tendo estado coberto com uma tela colorida, entretanto desbotada até mais não, e que ironicamente enumerava as intervenções camarárias, compulsivas ou de sua iniciativa, já executadas. Agora, pintado “de fresco”, a coisa disfarçou-se e poupou seguramente à C.M.L., através da sua Galeria de Arte Urbana (GAU), alguns milhões de €uros — apesar de considerar que o trabalho do par de graffiters brasileiros não deva ter sido propriamente executado graciosamente. "Enquanto não cair tudo em cima dos transeuntes, estamos bem", pensará a C.M.L.?.
Três edifícios já “tratados”. Até quando e quantos mais se lhes seguirão, sob o pretexto da "Arte Efémera" ou "Street Art"?
"Florence: Letter from LA" é um curto filme no qual a câmara de Tabitha Denholm acompanha a face principal dos Florence and the Machine, que pudemos ver mais recentemente no concerto do Optimus Alive 2010. A reprodução que aqui deixo foi publicada a 21 de Dezembro último no Nova-iorquino (New Yorker soava-me melhor...) Nowness e leva-nos a acompanhar alguns dos momentos de um dia da Flo em tournée norte-americana no Outono do ano passado. De acordo com a informação do Nowness, esta nova curta da Tabitha constitui a primeira de três partes de uma série colectivamente intitulada Letters From America, que também segue a Florence até New Orleans e New York.
Bonita fotografia, e bela música, com uma das mulheres artistas do meu coração.
Rima e tudo. "Tinta nos Nervos" é o nome da mais recente exposição que o Museu Colecção Berardo, situado em pleno Centro Cultural de Belém, traz gratuitamente ao público. São cerca de 600 trabalhos de 41 autores portugueses, expostos até ao próximo dia 27 de Março, diariamente das 10.00h às 19.00h e sábados até às 22.00h.
Surgiu recentemente no mercado mais uma revista de Banda Desenhada (BD) de edição nacional. BD? Perdão, Manga, pois que se trata de uma publicação na qual se pretendem divulgar trabalhos de autores europeus mas de inspiração estética e visual japonesa, pela via do estilo (acho que se lhe pode chamar assim) Manga. O seu nome é capaz de ser também uma boa pista, para os mais distraídos… ;)
A revista, de 48 páginas a preto-e-branco (capa e contra-capa a cores), com um preço de €2,50 e edição bimestral, apresenta-se em papel de boa qualidade, infelizmente , na minha opinião, num formato pouco condizente com o habitual em obras Manga. Sendo a primeira produção do género a surgir em Portugal e sendo nítido o seu propósito de marcar posição no seio da BD de inspiração/origem Japonesa, os responsáveis pela sua produção poderiam ter começado logo por aqui. Em vez do enorme A4, teria sido mais original (no seio do nosso mercado) que a BANZAI se propusesse aos leitores no formato “japonês” (entre as 5” x 7” polegadas, 12,7 x 17,78 cm, ou ligeiramente inferior ao tamanho A5).
Neste número 0 (zero), a BANZAI introduz-nos duas estórias de outros tantos autores portugueses, ou autoras, mais concretamente: “TMG – The Mighty Gang”, de Joana Rosa Fernandes e “Kuroneko”, de Cristina Dias. A primeira estória, intitulada “Missão 01 – O Início”, introduz-nos a três personagens adolescentes, ainda sem espaço e tempo para um aprofundamento psicológico do seu carácter, que se encontram numa improvável França e onde duas delas têm o objectivo declarado de (coincidência?) se deslocarem a Inglaterra.
Um reparo, que, este sim, é impossível ignorar e que se estende a partes de toda a revista e não apenas a esta estória. Os erros ortográficos. Entendo que a autora, numa tentativa de maior aproximação possível ao estilo em que se inspira, recorra a onomatopeias para acentuar, de forma não desenhada, certas acções dos personagens acrescentando uma ilusória dimensão sonora aos desenhos. Por aqui, nada a apontar. É louvável e habitual em BD. O que me parece menos correcto é o uso de expressões de língua inglesa para acentuar essas acções, especialmente quando algumas delas apresentam os tais (crassos) erros ortográficos.
Por exemplo, quando um personagem afaga a testa de um cavalo, adicionar-se um balão com a palavra “Pet” (animal de estimação) quando eu acho que a autoria queria era transmitir a ideia de afagar (substantivo “Pat”; ou quereria referir-se ao verbo “Pat”?) é de palmatória… Desculpe-me a autora. Um suspiro trocado por um “Sigh”, um virar de página com um “Flip” ou um “Rustle” ao invés de um sussurro ou restolhar parecem-me opções menos conseguidas quando falamos de uma publicação portuguesa. “Geez”, “Growl”, “Snatch”, “Push”, etc., são outros que, em si, não me espantam, mas que enquadro na classe anterior de opções menos certeiras da autora. A menos que (ressalva minha) esta tenha inicialmente concebido “TMG – The Mighty Gang” para edição em língua inglesa, antes da publicação na BANZAI.… Terei acertado? Não interessa.
O desenho em si parece-me adequado para dar o “ar” de Manga, apesar de ter sido, neste particular, dada menos atenção aos segundos planos, nos quais o estilo já me parece mais amadorístico. Percebo que desenhar “pessoas” seja uma coisa e que desenhar objectos ou cenários, outra completamente diferente (autores há que costumam delegar noutros artistas estes pormenores), mas preferia não ter conseguido fazer esta distinção. Por exemplo logo na página 3, os prédios, ou, na página 5, cena com o transeunte e um camião parece terem sido desenhados com alguma displicência, pouco visível na maioria dos restantes quadradinhos. Em termos do argumento, também me parece algo anacrónico que em plena França contemporânea seja “natural” que alguém ostente e empunhe em público uma… katana (?!).
Seja como for, aguardo com interesse e expectativa novos desenvolvimentos do enredo a partir do número 1.
Sobre o “Kuroneko” de Cristina Dias, três mini-estórias de estilo mudo, apresentadas num par de pranchas cada, confesso que me agradou um pouco mais. Contar uma estória por gestos (perdão, desenhos…) requer muito mais engenho que o desenho acompanhado com texto, e a autora consegue transmitir bastante bem a relação amor-ódio que se sente entre o gato Kuroneko e a ovelha Hitsuji, infelizmente e para mal do personagem homónimo, nem sempre favorável ao primeiro.
Palavras finais para constatar que a revista é omissa quanto a um eventual projecto editorial e a equipa que a compõe (número “zero” não pode ser desculpa para tudo), faltando por exemplo uma vulgar informação de contacto (um simples endereço de e-mail que permita dialogar com os potenciais leitores?). Além das autoras, da referência ao licenciamento dos personagens a uma “NCreatures, Lda.” e ao registo ao abrigo da Lei de Imprensa (bla-bla-bla) nada mais é revelado ao comprador.
Mas, volto a repetir, para mim o mais grave são os erros ortográficos, patentes não apenas onde os assinalei mas também e logo no texto de introdução de “The Mighty Gang”, uma redacção mal construída. Vejamos na parte que reproduzo, com a devida vénia à autora:
“(…) Quando Joana Mubarak, Andre Kersey e Sara Yamamoto, três viajantes, encontram-se[?? Descrição no Passado e verbo no Presente?]num porto em França a caminho de Inglaterra nunca poderiam imaginar (...)
Uma aventura na senda dos Shonen mais clássicos, onde nada é o que parece e as aventuras nunca pára[sic; provável gralha]”
Apesar de tudo, acredito no projecto (seja ele qual for) e aguardo com expectativa a chegada do número efectivamente 1! Uma proposta editorial ainda algo amadora, mas que poderá ter pernas para andar em Portugal, a julgar pela oferta e consumo cada vez maiores de obras japonesas traduzidas para inglês.
Nota de rodapé: Mais alguma informação, incluindo reprodução de três pranchas, nesta página do "Jikai! Blog".
ACTUALIZAÇÃO:
Após a publicação do meu texto, apercebi-me, através da página Facebook da NCreatures, da existência da página oficial da revista na Web. Está corrigida (embora parcialmente) a minha observação sobre a falta de contactos, etc..
P.S.: "A" banda do Século XX. Mato quem disser o contrário...
P.P.S.: A alguém que pense porque agreguei o rótulo "Fetichista" a este post, apenas digo que, além de tanto sentimento evocado pela banda, a sua música e a nostalgia destas fotos, que poderia dar lugar a um post por si próprio, o Peter Hook também tocava um baixo Rickenbacker...
Os Twin Shadow gravaram hoje alguns temas nos estúdios do blog Daytrotter, que os agrupou sob o título "Within The Garden Of Good And Evil". Após um registo gratuito no site, as suas "Daytrotter Sessions" ficarão disponíveis para deleite dos melómanos de todo o mundo.
Cinco temas, já apresentados no álbum de estreia em 2010, "Forget", dos quais o primeiro (exclusivo), de meros 11 segundos, serve de introdução para o prato principal.
Vai ser editado no próximo dia 11 deste mês. Falo do quarto trabalho discográfico de Leila Adu, artista que descobri por acaso — as boas surpresas são sempre por acaso... — numa das minhas perambulações pela Ionoesfera, perdão, pela Internet.
Descendente de Ganeses e criada na Nova Zelândia (biografia oficial aqui), Leila Adu canta, toca piano e outros teclados e é neste trabalho acompanhada pela italiana Daniele de Santis, na bateria. Viajemos pelos temas "Martian Raft" e "Brazen Hussy", disponibilizados na página da artista, num passeio urbano-jazzístico (étnico, mesmo?) e (in)temporal...
O fim do mundo foi antecipado. Assim parece, a acreditar na notícia do semanário Sol. De 21 de Dezembro de 2012 (sim, 12122012, ou 20121212 à inglesa...) para o já próximo 21 de Maio de 2011. Tudo por obra de um movimento cristão norte-americano, de nome tão ridículo que só podia mesmo ser norte-americano, Family Radio Worldwide. Não tem muito a ver com cristandade, pois não?
Só um pequeno detalhe me preocupa, e cito:
«Sem margem de dúvida, 21 de Maio é a data», garante Camping, que prevê para esse dia a subida aos céus das boas almas: «As restantes pessoas vão permanecer na Terra e vão passar por um período de tormento, até ao fim dos tempos».
Como é que vou ter tempo de passar de "restante pessoa" a "boa alma"?? Nem mesmo como "restante pessoa" considero ser algo de especial... Como vou dizer isto à minha psicóloga??
Há quem atribua aos chineses uma paciência infinita. Concordo, por um lado, pois só com ela puderam suportar os cerca de 49 anos do regime opressor maoista/comunista. Políticas, e traços civilizacionais, à parte, não posso deixar, por outro, de aqui reproduzir dois (de vários) vídeos de um blogger Japonês, no qual se comprova que aquela virtude comportamental deixou de ser exclusivo chino e, mesmo, humano.
Ele entretém-se a fazer os seus gatos domésticos a equilibar frutos, vegetais e outros objectos nas respectivas (e altivas) cabeçitas. Ei-los: